FIFA

O gráfico que mostra como o mundo está dividido sobre Infantino

Após a polêmica proposta de abertura da Copa do Mundo para investidores privados, a BBC Sport detalha onde está o apoio e a oposição à liderança de Gianni Infantino entre os membros da Fifa.

O presidente da Caf, Patrice Motsepe (dir.), permanece sendo um importante aliado de Infantino. Mas o líder da Concacaf, Victor Montagliani (esq.), poderá surgir como seu mais sério oponente -  (crédito: Getty Images)
O presidente da Caf, Patrice Motsepe (dir.), permanece sendo um importante aliado de Infantino. Mas o líder da Concacaf, Victor Montagliani (esq.), poderá surgir como seu mais sério oponente - (crédito: Getty Images)

Até menos de um mês atrás, a reeleição de Gianni Infantino como presidente da Fifa em março do ano que vem era dada como certa.

Quase todos os 210 membros da Fifa apoiavam sua candidatura para um quarto mandato à frente da entidade que dirige o futebol mundial. Infantino não enfrentava oposição significativa de nenhum lado.

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Mas, hoje, tudo parece muito diferente. Por duas semanas ele enfrentou ataques implacáveis ao seu plano, agora abandonado, de vender participações na Copa do Mundo e em outras competições da Fifa para investidores privados.

O mundo está dividido e precisará decidir se deve manter ou dispensar Infantino.

Para ilustrar esta divisão, a BBC Sport mapeou a aparente visão de todas as 210 associações nacionais com direito a voto na Fifa — lembrando que o Nepal, membro n° 211, atualmente está suspenso e não pode votar.

Alguns países declararam abertamente seu apoio ou oposição ao atual presidente da Fifa. Outros informaram sua posição ao serem questionados pela BBC Sport e um terceiro grupo teve sua posição presumida com base nas declarações da confederação continental de cada país.

 

Antes, a eleição de Infantino para um quarto mandato na Fifa parecia ser um passeio, sem enfrentar oposição. Agora, é possível que ele enfrente dificuldades para garantir apoio suficiente para se manter no cargo.

Se for encontrado um candidato de consenso, a próxima eleição da Fifa pode se tornar um confronto direto.

A eleição da entidade entre dois candidatos exige maioria simples. Ou seja, seriam necessários 106 votos para a vitória de um dos postulantes.

Se houver três ou mais candidatos, um deles precisará receber dois terços dos votos (140) para vencer no primeiro turno. Se ninguém se sair vencedor, haverá um segundo turno, para escolher o eleito por maioria simples.

A Europa conta com 55 votos, a África com 54, a Ásia com 46, a América do Norte com 35, a Oceania com 11 e a América do Sul, com 10 votos.

Pela contagem atual, aparentemente, 73 países apoiam Infantino, 124 se opõem e 13 estão indecisos. Mas o quadro é incerto e provavelmente irá se alterar nos próximos meses.

Qual é a posição dos países e das confederações?

Diversos países europeus, incluindo a Inglaterra e o País de Gales, retiraram formalmente suas cartas de apoio ao presidente da Fifa na eleição do ano que vem.

Na segunda-feira (10/8), a reação contra Infantino se intensificou. A Uefa, que rege o futebol na Europa, a norte-americana Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol (AFC, na sigla em inglês) assinaram uma carta conjunta, acusando a Fifa e o seu presidente de quebra de confiança "por meio do engano".

Esta coalizão é significativa. Os três organismos regionais representam, ao todo, 136 associações nacionais.

Mas já existem membros dissidentes nas confederações. Na Ásia, por exemplo, o Butão, as Filipinas e os Emirados Árabes Unidos apoiaram Infantino.

O continente asiático é considerado uma possível região "pêndulo" para o futuro do atual presidente. Muitas associações ainda não divulgaram suas posições.

O México também divergiu da Concacaf e saiu em apoio a Infantino. Os Estados Unidos e o Canadá manifestaram seu apoio à recente declaração da entidade continental, mas não afirmaram abertamente sua oposição à manutenção do atual presidente da Fifa no cargo.

Já a Confederação de Futebol da Oceania (OFC, na sigla em inglês) declarou ter iniciado um processo de consulta entre seus membros no dia 30 de julho.

A OFC ainda não assumiu posição em relação à proposta descartada pela Fifa, o que deve acontecer nesta quinta-feira (13/8), após a reunião do seu comitê executivo, nas ilhas Fiji.

Infantino ainda conta com aliados fiéis, particularmente na África (Caf) e na América do Sul (Conmebol). Os dois continentes se beneficiaram dos investimentos sem precedentes realizados desde a sua posse, uma década atrás.

Estes investimentos poderão ajudá-lo a ganhar votos fundamentais de países da AFC, Concacaf e OFC. Eles estão muito abaixo na cadeia alimentar do futebol e se beneficiaram significativamente do programa Fifa Forward, que disponibilizou bilhões de dólares para investimentos.

Por fim, a Arábia Saudita ainda não assumiu publicamente sua posição, embora tenha recebido o direito de promover a Copa do Mundo de 2034, sob o olhar atento de Infantino.

A associação saudita de futebol terá suas próprias eleições em agosto e os resultados poderão definir a posição do país e influenciar a opinião de outras nações da região.

Por tudo isso, é impossível garantir que todos os países irão seguir a linha da sua confederação regional.

O presidente da Concacaf, Victor Montagliani, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e o presidente da Caf, Patrice Motsepe, assistem das bancadas à final da Copa do Mundo Masculina da Fifa de 2026, no MetLife Stadium, em Nova York (Estados Unidos)
Getty Images
O presidente da Caf, Patrice Motsepe (dir.), permanece sendo um importante aliado de Infantino. Mas o líder da Concacaf, Victor Montagliani (esq.), poderá surgir como seu mais sério oponente

O que acontece agora?

Infantino não demonstrou desejo de renunciar, mas existe a possibilidade de que seu mandato termine em breve, se os membros do Conselho da Fifa tentarem forçar sua renúncia em uma reunião de emergência.

É possível convocar esta reunião, se 19 dos 37 membros do Conselho estiverem de acordo. Ela seria realizada em até 15 dias após a convocação.

O Conselho é composto por nove membros da Uefa, sete da AFC, seis da Caf, cinco da Concacaf, cinco da Conmebol e três da Oceania. O próprio Infantino e o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, completam o quadro.

Analisando esta composição, parece uma hipótese improvável. O que deixa a possibilidade de que um candidato enfrente Infantino nas eleições de março do ano que vem.

Até agora, ninguém se candidatou. Mas, se os líderes da Uefa, Concacaf e AFC realmente quiserem derrubar o atual presidente da Fifa, sua melhor opção provavelmente é se unirem em torno de um único postulante.

O prazo para que os candidatos anunciem sua intenção de concorrer termina em novembro.

Historicamente, outras confederações têm se indignado com o domínio europeu do futebol, suas competições e o dinheiro envolvido.

Talvez por isso, o presidente da Concacaf, Victor Montagliani, vem sendo sistematicamente indicado nas últimas semanas como o mais provável oponente de Infantino.

O presidente da Confederação Asiática de Futebol, o xeque Salman Bin Ibrahim Al-Khalifa, ao lado do presidente da Fifa, Gianni Infantino, durante a cerimônia de entrega dos prêmios anuais da AFC em 2023 em Seul (Coreia do Sul)
AFP via Getty Images
A possível candidatura do presidente da AFC, o xeque Salman Bin Ibrahim Al-Khalifa, poderá atrair algumas das associações asiáticas que, atualmente, apoiam Gianni Infantino.

O mapa de votos pode mudar significativamente, dependendo de quem se apresente.

Se o presidente da AFC, o xeque Salman Bin Ibrahim Al-Khalifa, se candidatar, por exemplo, é possível que ele atraia para si algumas das associações asiáticas que, atualmente, apoiam Infantino.

No momento, o quadro global permanece incerto, devido às divisões emergentes dentro das confederações, à possibilidade de que pessoas importantes se declarem contra ou a favor de Infantino nos próximos meses e à atual falta de um candidato claro para desafiar o atual presidente da Fifa.

O que se sabe ao certo é que Infantino não tem mais um caminho tranquilo rumo ao seu quarto mandato, se estiver disposto a se manter por mais tempo.

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BBC
Laura Scott - jornalista esportiva
postado em 12/08/2026 11:14 / atualizado em 12/08/2026 12:56
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