
O El Niño que está se desenvolvendo sobre o Oceano Pacífico provavelmente será o mais forte da história recente, alertou o Met Office, o serviço meteorológico nacional do Reino Unido.
Esse poderoso fenômeno climático natural eleva as temperaturas globais e pode aumentar os riscos de eventos climáticos extremos.
Somando-se aos efeitos das mudanças climáticas causadas pelo homem, o Met Office alerta que é "muito provável" que 2027 seja o ano mais quente já registrado.
Há cada vez mais evidências de que os padrões climáticos em todo o mundo já estão sendo alterados, com chuvas de monção abaixo da média na Índia e atividade de furacões reduzida no Oceano Atlântico.
No Reino Unido, o El Niño pode aumentar o risco de um outono chuvoso e tempestuoso.
"Devemos deixar claro que este é um evento sem precedentes", disse o professor Adam Scaife, chefe de previsão de longo prazo do Met Office.
"Nunca vi sinal de um El Niño tão intenso em nossas previsões."
Segundo meteorologistas ouvidos pela BBC News Brasil, o El Niño, deve continuar influenciando o clima brasileiro e ajudar a moldar um cenário de eventos extremos pelo país.
As previsões para agosto de 2026 indicavam que as temperaturas ficariam acima da média histórica em grande parte do Brasil, com a intensidade variando entre as regiões, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia.
No início do mês, um ciclone-bomba avançou sobre o Sul e o Sudeste do Brasil, com ventos que superaram os 120 km/h em alguns pontos e deixaram rastro de caos e preocupação.
E se no Sul a previsão era de que o El Niño propiciasse chuvas acima da média, para o Norte e o Nordeste a tendência é de menos chuva, favorecendo o avanço das queimadas.
Para Diogo Arsego, meteorologista do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o El Niño, que se configurou em junho, deve permanecer ativo até o início de 2027 e atingir seu pico entre outubro e novembro.
O que é El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre aproximadamente a cada dois a sete anos, com duração de cerca de um ano.
Os ventos alísios, que normalmente sopram de leste para oeste no Oceano Pacífico, podem enfraquecer ou até mesmo inverter sua direção, permitindo que a água quente se espalhe para leste.
O calor liberado do oceano para a atmosfera eleva as temperaturas globais e altera os padrões de chuva.
Os cientistas declaram a ocorrência de um El Niño quando as temperaturas da superfície do mar em uma área-chave do Pacífico estão 0,5°C ou mais acima da média.
As medições atuais mostram que as temperaturas estão bem acima do normal, com mais de 2°C acima da média.
As últimas previsões do Met Office sugerem que essas anomalias de temperatura podem ultrapassar os 3°C ainda este ano, à medida que o El Niño se aproxima do seu pico.
Isso seria inédito nos registros que remontam a 1950 e provavelmente o evento mais impactante desde o século 19.
Temperaturas muito elevadas nas profundezas do oceano — cerca de 8°C acima do normal a uma profundidade de 100 metros em alguns locais — podem ajudar a intensificar o El Niño, fornecendo uma espécie de reserva de água quente que reforça o fenômeno.
"Ainda temos muitos meses pela frente enquanto este evento continua a se desenvolver, e essa é uma das razões pelas quais temos cada vez mais confiança de que este será um evento recorde", diz Zeke Hausfather, cientista climático do Berkeley Earth, um grupo de pesquisa dos EUA.
Outras equipes projetaram algo ainda mais drástico do que a previsão do Met Office, talvez até 4°C acima da média.
Caso isso se confirme, "não é impossível dizer que este pode ser o evento El Niño mais forte em 500 ou até mesmo 1.000 anos", afirma Hausfather, embora seja impossível afirmar com certeza o que ocorreu em períodos tão remotos.
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Impactos climáticos em todo o mundo
A mudança na distribuição de calor pelo oceano e as alterações nos padrões de vento na atmosfera podem ter efeitos de grande alcance no clima em todo o mundo.
Não existem dois eventos El Niño iguais, e os impactos nos padrões climáticos podem variar. No entanto, há evidências de que os efeitos já estão sendo sentidos.
Por exemplo, em anos de El Niño, a monção do sudoeste pode causar chuvas reduzidas no sul da Ásia — e até agora, em 2026, elas estão bem abaixo do normal.
Mudanças nos padrões de vento no Caribe e no Atlântico tropical podem reduzir a atividade de furacões.
Até agora, nesta temporada, houve apenas três tempestades nomeadas.
Em áreas próximas ao Pacífico tropical, a influência do El Niño pode ser profunda, com risco de seca e incêndios florestais na Austrália e aumento do risco de inundações no Peru, Equador e sul dos Estados Unidos.
2027 'muito provavelmente' será o ano mais quente já registrado
Durante a ocorrência do El Niño, uma quantidade significativa de calor é liberada do oceano para a atmosfera.
Nick Dunstone, climatologista do Met Office, afirma que isso pode levar a "um aumento na temperatura média global, particularmente no ano seguinte ao pico de inverno do El Niño."
"Portanto, é muito provável que 2027 substitua 2024 como o ano mais quente já registrado."
No início deste mês, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou que o El Niño poderia ameaçar dezenas de milhões de pessoas em países vulneráveis com uma insegurança alimentar aguda.
- Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).

