
Uma menina de seis anos foi resgatada com vida após ficar 60 horas soterrada sob lama e escombros na fronteira de Timure, entre o Nepal e o Tibete chinês. O vídeo do resgate foi divulgado pela Força Armada Policial do Nepal neste sábado (29/8).
Não foram divulgadas informações sobre a família da menina, seu estado de saúde ou se ela perdeu parentes. A autoridade armada nepalense disse que ela foi levada de helicóptero até um hospital, onde recebeu atendimento médico. O jornal português Espresso conseguiu confirmar a idade da criança.
Identificada como Manisha Magar, ela estava em um vão sob restos de casa. Os resgatistas conseguiram retirar os escombros até acessar o local onde ela estava. O vídeo divulgado mostra a criança sentada, se movimentando, agasalhada e comendo.
A retirada de pessoas com vida dos escombros tem ficado cada vez mais rara, à medida em que o tempo passa. Cerca de 3 mil pessoas ainda seguem desaparecidas entre Nepal e China e 633 morreram.
São ao todo 2.426 desaparecidos no Nepal e 554 no Tibete chinês. Pelo menos 540 são estrangeiros.
Na última sexta (28/8), o Ministério das Relações Exteriores do Nepal disse que o país não precisava de ajuda internacional e que suas equipes internas conseguiriam realizar o resgate sozinhas. Horas depois, porém, o governo mudou de posição e passou a aceitar apoio internacional.
Resgate em condições difíceis
Enquanto isso, 682 corpos foram recuperados; 675 deles no lado nepalês e 7 no território chinês do Tibete, que é em grande parte inacessível a jornalistas estrangeiros.
Além disso, sete corpos encontrados dezenas de quilômetros rio abaixo, no norte da Índia, estão sendo identificados e podem ser adicionados à lista de vítimas do desastre.
As equipes de resgate trabalham em condições extremamente difíceis devido à espessa camada de lama que cobre as áreas afetadas.
Kawan Koirala, membro da Equipe de Resposta a Desastres do Nepal, explicou que os esforços de busca avançam com dificuldade.
"As pessoas querem recuperar os corpos de seus parentes, vivos ou mortos, mas não conseguimos encontrá-los (...) elas só veem a lama", disse à AFP, visivelmente exausto após uma jornada de trabalho de 18 horas.
"É muito traumático para mim também. É a primeira vez que vejo algo assim. Tem lama por toda parte. Já tivemos enchentes no Nepal antes, mas não como esta", acrescentou.
A tragédia
Na quarta-feira, uma enorme avalanche de lama, atribuída ao colapso de uma geleira, soterrou casas, destruiu pontes e arrastou veículos tanto no Nepal quanto na região autônoma chinesa do Tibete.
Embora a causa exata do colapso ainda não esteja clara, as mudanças climáticas provocam o derretimento de geleiras em todo o mundo, aumentando o risco de desastres como esse.
"O colapso repentino da geleira e a enxurrada súbita são um lembrete devastador de quão frágeis podem ser esses ambientes montanhosos", afirmou em comunicado Simon Stiell, responsável pelo clima na ONU.
"Sabemos que o aquecimento global, provocado pela queima de quantidades colossais de carvão, petróleo e gás pela humanidade, está tornando tragédias como esta, e tantas outras em todo o mundo, muito mais prováveis, frequentes e graves, e que as comunidades vulneráveis são muitas vezes as mais afetadas", ressaltou.
Com informações da AFP
