ÍNDIA

A nova onda de protestos de jovens do movimento das 'baratas' na Índia em imagens

Movimento político satírico liderado pela Geração Z indiana voltou às ruas neste fim de semana para exigir a renúncia da principal autoridade eleitoral do país.

Polícia deteve Neha Bora, uma das figuras de destaque do protesto e presidente da associação da estudantes da Índia (AISA), durante uma manifestação em Déli no domingo -  (crédito: Reuters)
Polícia deteve Neha Bora, uma das figuras de destaque do protesto e presidente da associação da estudantes da Índia (AISA), durante uma manifestação em Déli no domingo - (crédito: Reuters)

Em uma nova onda de protestos na Índia, o movimento Partido do Povo Barata (CJP, na sigla em inglês para Cockroach Janta Party) levou milhares de jovens às ruas de Mumbai e Nova Déli neste fim de semana para pedir a renúncia da principal autoridade eleitoral do país.

O CJP é um movimento político satírico liderado pela Geração Z indiana que surgiu a partir de declarações feitas em maio pelo presidente do Supremo Tribunal da Índia, que usou o termo "barata" para descrever jovens desempregados que se dedicam ao jornalismo e ao ativismo.

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Após a repercussão negativa dos comentários, o presidente da Corte disse que se referia apenas àqueles com "diplomas falsos e fraudulentos".

Na época, jovens vinham organizando manifestações para exigir reformas na educação e a renúncia do então ministro da Educação, o que acabou acontecendo em julho.

Desta vez, o CJP — que não está registrado como partido político na Índia — busca reformas eleitorais a poucos meses da realização de eleições estaduais consideradas cruciais para o país.

Os jovens também pedem a renúncia do Comissário-Chefe da Comissão Eleitoral, Gyanesh Kumar, sob alegações de manipulação das listas de eleitores — o que a Comissão Eleitoral rechaça.

Juntamente com partidos de oposição, eles afirmam que o processo de atualização da lista de eleitores é tendencioso — acusação negada tanto pela Comissão Eleitoral quanto pelo governo, que descreve a iniciativa como um esforço de rotina para remover eleitores falecidos, duplicados ou inelegíveis.

Milhares de agentes de segurança foram deslocados para os locais das manifestações e estradas foram bloqueadas por barricadas.

A imprensa local relata que 7.000 manifestantes foram detidos e liberados no sábado (10/10) e que outras centenas de detenções ocorreram no domingo (11/10).

Abhijeet Dipke, que deu início ao movimento em maio, e outros líderes foram detidos ao chegarem a Nova Déli no sábado e soltos na manhã de domingo por um tribunal de primeira instância "sob a condição de que não perturbem a ordem pública pelo período de um ano", segundo informou a polícia.

Em seus primeiros comentários após ser liberado, Dipke afirmou que "o CJP não recuará nem se deixará intimidar".

E publicou no X: "[Narendra] Modi, como primeiro-ministro, é uma vergonha para a Índia."

Veja, a seguir, algumas das cenas dos novos "protestos das baratas":

Uma mulher (Neha Bora), de óculos e vestindo roupas escuras, é carregada por vários agentes uniformizados através de uma rua movimentada; agentes com uniformes de camuflagem e outros com uniformes de padrão azul sustentam seus braços e pernas. Ao fundo, veem-se diversos agentes uniformizados e espectadores, incluindo uma pessoa que está filmando.
Reuters
Polícia deteve Neha Bora, uma das figuras de destaque do protesto e presidente da associação da estudantes da Índia (AISA), durante uma manifestação em Déli no domingo
Uma mulher sentada dentro de um veículo é vista através de uma janela lateral, segurando um smartphone com capa estampada. Ao lado dela está um homem — Abhijeet Dipke — de perfil. A fotografia foi tirada do lado de fora do veículo; reflexos no vidro obscurecem parcialmente o interior e criam uma visão em camadas dos passageiros, tendo como pano de fundo uma paisagem urbana desfocada.
Reuters
Abhijeet Dipke, fundador do CJP, após ser liberado pela polícia. Ele e outros líderes de destaque do movimento foram retirados de um avião por agentes ao chegarem a Déli no sábado, mas foram liberados no dia seguinte
Um grande contingente de policiais, vestindo capacetes azuis com viseiras, coletes de proteção e uniformes com padronagem azul, está posicionado de forma compacta em uma rua. Os policiais estão voltados para a mesma direção, em uma formação que aparenta ser para controle de multidões; alguns seguram escudos antimotim transparentes com a inscrição
Reuters
Efetivos da Força de Ação Rápida, juntamente com policiais, foram mobilizados após o CJP anunciar a realização dos protestos
Uma pessoa vestida com roupas escuras está sendo imobilizada e carregada por dois policiais uniformizados em uma rua da cidade; um policial sustenta a parte superior do corpo, enquanto o outro segura as pernas da pessoa. A cena é cercada por fotógrafos, policiais e curiosos, ao passo que cacos de vidro estão espalhados pela via, perto de uma viatura, indicando um confronto ou tumulto recente.
Reuters
Relatos da imprensa indicam que cerca de 7.000 pessoas foram detidas em Déli no sábado
Um policial uniformizado, dentro de um ônibus, está imobilizando e erguendo uma pessoa pela porta do veículo, enquanto outra pessoa, também no interior do ônibus, sustenta a parte superior do corpo do indivíduo. Várias mãos estendidas alcançam a porta pelo lado de fora, e a cena, com enquadramento fechado, concentra-se na luta física em torno da entrada, tendo barras de apoio e janelas do ônibus visíveis ao fundo.
Reuters
Muitos dos manifestantes tentaram escapar dos veículos policiais
Uma pessoa de cabelos escuros na altura dos ombros está diante de um ônibus da polícia, cercada por microfones, equipamentos de filmagem e mãos erguidas de uma multidão reunida nas proximidades. O para-brisa do ônibus preenche o fundo com letras vermelhas grandes que dizem
Reuters
Manifestantes se posicionaram diante das viaturas policiais para impedir que levassem os detidos
Uma pessoa debruçada na janela de um ônibus grande levanta um braço com o dedo estendido, vestindo uma camisa de cor clara com inscrições em laranja e um lenço amarrado no pescoço. O ônibus ocupa a maior parte do enquadramento sob forte luz do dia; é possível ver uma janela danificada perto do braço levantado e árvores ao fundo, além de outra pessoa dentro do veículo e parte de uma multidão na borda da imagem.
EPA
Muitos dos detidos continuaram gritando palavras de ordem das janelas das viaturas policiais
Um manifestante resiste à detenção pela polícia durante um protesto organizado pelo Cockroach Janta Party (CJP) — que exige a renúncia do Comissário-Chefe da Comissão Eleitoral da Índia, Gyanesh Kumar — nas proximidades do local da manifestação em Nova Délhi, Índia, em 10 de outubro de 2026.
Reuters
Um manifestante resiste à detenção pela polícia durante manifestação
Um manifestante tenta impedir a polícia de deter outro manifestante durante um protesto organizado pelo Cockroach Janta Party (CJP) em Nova Déli, na Índia.
Reuters
Um manifestante tenta impedir a polícia de deter outro manifestante

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BBC
BBC Geral
postado em 11/10/2026 17:18 / atualizado em 11/10/2026 17:19
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