SOCIEDADE

O fim do sonho de uma W3 sem carros aos domingos

Durante um ano e meio, a W3 tornou-se uma área exclusiva para pedestres e ciclistas. Mas, infelizmente, não deu certo. E, a partir do próximo fim de semana, o tráfego de veículos voltará a ser liberado.

Roberto Fonseca
postado em 03/12/2021 06:00 / atualizado em 03/12/2021 18:05
 (crédito: Renato Alves/CB/D.A Press)
(crédito: Renato Alves/CB/D.A Press)

Era uma das boas ideias surgidas em relação à ocupação urbana da capital. Falo da tentativa de tornar a W3 em um espaço livre dos carros aos domingos. Durante um ano e meio, tornou-se uma área exclusiva para pedestres e ciclistas. Mas, infelizmente, não deu certo. E, a partir do próximo fim de semana, o tráfego de veículos voltará a ser liberado.

O principal motivo certamente foi o econômico. Há tempos empresários vinham pressionando pelo fim da "W3 do Lazer". Dados do Sindivarejista indicam que os comerciantes das quadras 100, 200 e 300 registraram uma queda de 30% no faturamento aos domingos. Todos entendemos a importância dos supermercados, restaurantes, bares, lanchonetes e farmácias no nosso dia a dia, mas é preciso saber equilibrar demandas financeiras com a qualidade de vida da população.

Confesso que via na "W3 do Lazer" uma oportunidade de revitalização da avenida comercial mais conhecida da capital federal. Apesar das obras em andamento, que estão dando uma cara nova à região, é triste para o brasiliense ver uma área tão importante para a cidade com tantas placas de "aluga-se e vende-se" por todos os lados. Não é só efeito da crise econômica, mas, sim, reflexo da decadência que a avenida passou a registrar ano após ano. E algo precisa ser feito para salvá-la. Nem que seja um pacote de benefícios fiscais para quem abrir uma empresa no local.

Ao mesmo tempo que a W3 volta a ser exclusiva de carros e ônibus, está permitida a realização de eventos no Eixão do Lazer. Desde o início da pandemia, eram formalmente proibidos. Existia uma ou outra aglomeração em torno de rodas de samba, jazz ou choro, mas bem menor do que a registrada em bares famosos da capital. Todos sabemos que a covid-19 ainda é uma ameaça, com os efeitos e riscos da ômicron ainda desconhecidos, mas o avanço da vacinação nos leva a crer que estamos perto da volta à normalidade.

Temos que seguir mantendo todos os cuidados necessários. Se os índices sanitários permitem eventos, precisamos acreditar nas autoridades. Da mesma forma que, caso sejam necessárias novas medidas restritivas, temos a obrigação de segui-las. Vida em sociedade é assim. Há regras que precisam ser seguidas.

 


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