violência

Visto, lido e ouvido: Antes que seja tarde demais

Circe Cunha
postado em 25/03/2022 06:00
 (crédito: Pedro Marra/CB/D.A. Press)
(crédito: Pedro Marra/CB/D.A. Press)

Sejam quais forem os diagnósticos, de cunho didático e pedagógico, que venham a ser elaborados pela Secretaria de Educação para traçar medidas para acabar com a onda de violência que grassa nas escolas públicas em todo o Distrito Federal e nos arredores, sob sua jurisdição, um fato é inconteste e incontornável: a falta de uma disciplina rígida e decisiva que poderia ser um modelo de "tolerância zero" Sem essa premissa, quaisquer medidas brandas e sem coragem irão se tornar paliativos e unguentos do tipo ineficaz e falso. Mais uma vez a leitura invertida das leis promove essa algazarra nas instituições de ensino.

As ocorrências policiais, inclusive com crimes, mortes, ameaças e tentativas de assassinato, que a sociedade vem assistindo, dentro e nas portas dos colégios públicos, até de uma forma corriqueira nos noticiários, não podem ser toleradas em nome do que quer que seja, muito menos em nome da democracia e da liberdade. Há muito já se sabe que escola não é reformatório ou instituição para albergar menores infratores.

Ou as autoridades entendem que as escolas públicas representam um portão de entrada para a vida em sociedade, ou estaremos permitindo, por nossa inação, que menores e outros indivíduos adentrem o meio social para delinquir sem limites. Ou as escolas entendem essa missão, ou estaremos diante de um fenômeno que vai piorar uma situação de violência endêmica presente em nossa sociedade e que tantos males tem causado ao nosso país.

Há, aqui, um dilema que precisa ser resolvido, com urgência: ou as autoridades da educação adotam medidas efetivas para afastar, com severidade, do convívio das escolas, essa minoria de malfeitores que infesta os demais alunos, ou estaremos reféns, como é o caso da maioria das metrópoles brasileiras, onde a violência toma conta de tudo enxugando gelo com cotonete.

Campanhas pedagógicas e outras modalidades de prevenção brandas, não surtem efeito, quando o assunto é a perda total da racionalidade e da humanidade. Delitos são delitos dentro e fora das escolas. Crimes, independentemente do ambiente onde ocorram, são crimes e devem ser encarados e punidos, com o mesmo rigor, independentemente do autor ser aluno, estudante, corpo discente ou o que quer que seja.

Não se pode tolerar que criminosos ou aprendizes do crime convivam livres e soltos com outros alunos dentro das escolas. É preciso entender que a sociedade, ou mais precisamente os contribuintes, não pode mais arcar com a tremenda carga tributária e que os custos, cada vez mais elevados, sejam destinados ao ensino, quando se assiste ao tipo de ensino e de escolas que estamos bancando.

A continuar nesse processo de decadência, que parece ter tomado conta do ensino público, com escolas se transformando em territórios livres e sem controle, para drogas, brigas, mortes e total desrespeito ao corpo docente, o passo seguinte será a introdução do modelo de administração militar em toda a rede. Por certo, essa seria uma medida extrema, mas estamos falando em situações extremas, semelhantes àquelas vistas em nossas penitenciárias.

Com a campanha pelo fim das famílias, a coisa tende a piorar. Rastreie-se cada aluno delinquente e a origem será na falta de pai e mãe orientando, presente e estimulando a galgar por uma realidade melhor. Já repetia o filósofo de Mondubim: "Se filho não precisasse de pai e mãe, nascia numa árvore e quando estivesse maduro cairia".

Há uma rebelião silenciosa na sociedade e dentro das escolas públicas que precisam ser contidas, antes que seja tarde demais.

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