Copa do Mundo

Artigo: Análise com base na base

Marcos Paulo Lima
postado em 02/04/2022 06:00
 (crédito: Lucas Figueiredo/CBF)
(crédito: Lucas Figueiredo/CBF)

A turma do oba-oba, do bolão e do mercado de apostas on-line dá o Brasil como certo na segunda fase da Copa do Mundo do Qatar, a partir de 21 de novembro. Discute até se o adversário será Portugal ou Uruguai nas oitavas. Entendo a empolgação. Ao contrário da envergonhada Itália, o Brasil jamais ficou fora da festa. Não é eliminado na etapa de grupos desde 1966, na Inglaterra.

Quando o sorteio acabou, recebi mensagens perguntando se as bolinhas foram generosas ao colocar Sérvia, Suíça e Camarões na rota do hexa. Não! Fundamento a minha cautela não somente no respeito aos concorrentes, mas na observação do trabalho feito nas divisões de base. O arrogante futebol brasileiro considera os nossos recursos inesgotáveis e acha que os adversários estão inertes, de braços cruzados.

Há homens trabalhando nas divisões de base, principalmente, no futebol europeu. O êxito da Sérvia, por exemplo, tem a ver com a conquista do Mundial Sub-20 de 2015, na Nova Zelândia. Sabe quem eles derrotaram por 2 x 1 na final? O Brasil! Aquela geração comandada à época por Rogério Micale tinha convocáveis de Tite. Um deles, o camisa 10 Gabriel Jesus. Isso faz sete anos.

A Sérvia frustou Portugal nas Eliminatórias para o Qatar. Forçou Cristiano Ronaldo e companhia a disputar duas repescagens contra Turquia e Macedônia do Norte. O elenco comandado pelo técnico Dragan Stojkovic tem vários jogadores daquela geração campeã do Mundial sub-20, como Vanja Milinkovic-Savic, Milos Veljkovic, Sergej Milinkovic-Savic, Andrija Zivkovic. Marko Grujic e Nemanja Maksimovic. Promessas como Luka Jovic, joia de 19 anos do Real Madrid, e Dusan Vlahovic, de 22, da Juventus, reforçam a seriedade do trabalho feito no país de Petkovic.

Sabe a Suíça? Foi campeã do Mundial Sub-17 em 2009, na Nigéria. A estreia foi contra o... Brasil! O goleiro Alisson, o volante Casemiro, o meia Philippe Coutinho e o atacante Neymar deram adeus na primeira fase justamente por causa da derrota por 1 x 0 para a Suíça.

Parte do elenco que eliminou a atual campeã do mundo, França, nas oitavas de final da Euro-2020, e despejou a Itália para a repescagem nas Eliminatórias é formada por carrascos do Brasil naquele Mundial Sub-17. O centroavante Haris Seferovic (Benfica), Granit Xhaka (Arsenal) e Ricardo Rodriguez (Torino) faziam parte dela. Lembrete: a Suíça segurou a Seleção de Tite na Rússia.

Camarões tem mais dificuldades na base, mas é bicampeã olímpica e segue revelando talentos. O baita goleiro André Onana é titular do tradicional Ajax.

A boa notícia é a seguinte: Tite se abriu para os meninos da base. Campeões olímpicos em Tóquio-2020 tomaram conta da Seleção. Rejuvenesceram e deram nova dinâmica ao trabalho. Antony, Bruno Guimarães, Matheus Cunha, Guilherme Arana, Douglas Luiz, Richarlison e Gabriel Martinelli devem ser nossos antídotos dourados no Qatar.

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