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Irlam Rocha: A cultura resiste

Irlam Rocha Lima
postado em 19/04/2022 06:00
 (crédito: maurenilson freire)
(crédito: maurenilson freire)

Brasília, ao longo dos anos, transformou-se num grande caldeirão sonoro. Atualmente, é impressionante a diversidade musical que se observa na capital. Há quem se dedica a ritmos brasileiríssimos como samba, choro, baião; da mesma forma que existem intérpretes de gêneros originários de outras plagas como
jazz, blues, funk, salsa — mas com características locais.

Isso ocorria em outros tempos. Na década de 1980, por exemplo, embora influenciadas pelo punk rock inglês e norte-americano, bandas surgidas naquela época, entre elas Aborto Elétrico, Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude, Detrito Federal e Escola de Escândalo, criaram um rock com sotaque candango, que foi inserido no mapa da música brasileira.

Não por acaso, naquele período, Brasília recebeu o título de "Capital do Rock". Recentemente, por iniciativa de Philippe Seabra, fundador, líder, guitarrista e vocalista da Plebe, a Secretaria de Turismo criou a Rota do Rock, oficializada por decreto do Governo do Distrito Federal. Placas vêm sendo instaladas em alguns locais. Entre os pontos que a receberam, estão o conjunto de prédios residenciais da UnB, mais conhecido como Colina; e o bloco B da SQS 303, onde morou o lendário Renato Russo, criador da Legião.

Consta que, em breve, haverá a criação da Rota do Choro. Faz sentido, pois o velho e bom chorinho, gênese da MPB, tem importante polo na cidade. A partir do tradicional Clube do Choro e de grupos que aqui têm sido formados — inclusive no âmbito da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello —, reverbera belíssima sonoridade por outras regiões do país e até no exterior.

Isso, certamente, se acentuará com a realização, a partir de hoje e até o final da semana, da segunda edição do Encontro Internacional do Choro, com a participação de grandes músicos brasilienses, nacionais e de outros países, com destaque para o carioca Guinga, compositor genial e mestre do violão. Observa-se que, apesar do desprezo de órgãos do governo federal, a cultura brasileira resiste e prolifera.

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