EDITORIAL

Visão do Correio: Propostas para o Brasil

Correio Braziliense
postado em 04/10/2022 06:00

As próximas quatro semanas serão cruciais para o Brasil. Os eleitores terão esse período para refletir sobre que país querem para o futuro. As urnas mostraram que a maioria preferiu um tempo a mais para decidir a quem entregará o cargo mais importante da nação. Portanto, que os dois candidatos à Presidência da República apresentem suas propostas de governo a fim de que os cidadãos possam avaliá-las, questioná-las, recusá-las ou aprová-las. Não há mais espaço para ataques pessoais, suspeitas infundadas sobre o processo eleitoral, troca de farpas. Os votantes merecem respeito.

De direita ou de esquerda, os eleitores estão à espera de que o governante eleito se empenhe para resolver os graves problemas enfrentados pelo país. O crescimento econômico sustentado, que resulta em empregos de qualidade e aumento da renda, sumiu do radar há tempos. O que se vê neste momento é um suspiro da produção e do consumo, alimentados por medidas temporárias, intervencionistas e de curta duração. Sem um projeto consistente, de longo prazo, não há como se falar em avanços que possam eliminar o desemprego, a miséria, a fome, as desigualdades seculares que afrontam o bom senso. Não é possível, também, esperar por melhorias na saúde e na educação.

No primeiro turno das eleições, movidos pela paixão, os eleitores foram complacentes ante o descompromisso dos candidatos com programas de governo. Agora, porém, não há mais como ludibriar a população com promessas vazias, populismo barato, incitação ao ódio, radicalismo ideológico e religioso. As campanhas, até 30 de outubro, devem ser regadas a debates de ideias, proposições construtivas, respeito ao contraditório, civilidade. O Brasil nunca precisou tanto de líderes com grandeza suficiente para não se prender a minúcias, mas, sim, ao que realmente levará a dias mais promissores.

Os brasileiros já demonstraram que têm posições firmes e sabem tirar proveito das urnas. Há tempos deixaram de ser massas de manobra. Muitos podem até não concordar com determinadas posições da maioria, mas vontade popular não se questiona. A não ser por meio do voto, o poderoso instrumento da democracia. A cada quatro anos, há a oportunidade de mudança ou de continuidade do poder decisório. Esse momento chegou. Então, que os dois postulantes aos quais foram dados uma segunda chance não percam a oportunidade de reafirmar o respeito ao povo e os compromissos com um país mais justo e diverso.

A festa da democracia que se viu no último domingo fez crescer a expectativa quanto ao futuro governo. O mesmo se deve dizer em relação ao Congresso. Há pautas importantes que estão paradas na Câmara e no Senado, como as reformas tributária e administrativa, que necessitam ser levadas adiante, e não barradas por ideologias. Mudanças estruturais como essas permitirão um alívio ao setor produtivo e, sobretudo, que o Estado possa se concentrar no que realmente é importante e não se comportar como um grande sistema de recursos humanos.

Enfim, o relógio já está rodando. Cada dia das próximas quatro semanas será fundamental para que o Brasil saiba, com clareza, o que lhe espera. Os eleitores não podem se omitir. Que os dois candidatos mais votados em primeiro turno respondam ao gesto de confiança que receberam com propostas que resgatem a confiança, a previsibilidade e a alegria num país tão dividido e com tantas mazelas. Não se trata de súplica, mas de obrigação. Desperdiçou-se tempo demais. A hora da verdade chegou.

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