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armas nucleares

Artigo: Não às armas nucleares

Moscou e Kiev trocaram acusações em relação a uma possível sabotagem com explosivos dentro de Zaporizhzhia, a maior central atômica da Europa

 This handout video grab released by the Russian Defence Ministry on February 19, 2022, shows a Yars intercontinental ballistic missile launching during a training launch as part of the Grom-2022 Strategic Deterrence Force exercise at an undefined location in Russia. Russia on February 19 successfully test-fired its latest hypersonic ballistic missiles, cruise missiles, and nuclear-capable ballistic missiles as part of
This handout video grab released by the Russian Defence Ministry on February 19, 2022, shows a Yars intercontinental ballistic missile launching during a training launch as part of the Grom-2022 Strategic Deterrence Force exercise at an undefined location in Russia. Russia on February 19 successfully test-fired its latest hypersonic ballistic missiles, cruise missiles, and nuclear-capable ballistic missiles as part of "planned exercises," the Kremlin said, as tensions soar over Ukraine. - RESTRICTED TO EDITORIAL USE - MANDATORY CREDIT "AFP PHOTO / Russian Defence Ministry" - NO MARKETING - NO ADVERTISING CAMPAIGNS - DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS (Photo by Handout / RUSSIAN DEFENCE MINISTRY / AFP) / RESTRICTED TO EDITORIAL USE - MANDATORY CREDIT "AFP PHOTO / Russian Defence Ministry" - NO MARKETING - NO ADVERTISING CAMPAIGNS - DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS - (crédito: HANDOUT)
postado em 12/07/2023 06:01

"Agora eu me tornei a morte, a destruidora de mundos." A frase, pronunciada pelo físico norte-americano Robert Oppenheimer, diretor do Projeto Manhattan e um dos pais da bomba atômica, apontava quase que para um momento de revelação. O criador ciente do poder devastador se sua criação. Quase oito décadas depois dos ataques nucleares à Hiroshima e à Nagasaki, o planeta enfrenta a ameaça de uma nova explosão atômica. Nos últimos meses, enquanto a Rússia se afundava no lamaçal criado por ela mesma na Ucrânia, lideranças do Kremlin advertiam sobre o risco nuclear.

Moscou e Kiev trocaram acusações em relação a uma possível sabotagem com explosivos dentro de Zaporizhzhia, a maior central atômica da Europa. Especialistas não descartam que a Rússia lance mão de armas nucleares táticas, ogivas de baixo poder destrutivo, mas que liberam carga radioativa. O presidente Vladimir Putin teria transferido parte desse arsenal para Belarus.

É inconcebível que, em pleno século 21, a ameaça nuclear se faça presente. As armas nucleares foram usadas duas vezes no Japão, contra a população civil, sob a premissa de acelerar a capitulação nipônica na Segunda Guerra Mundial. Em 2005, entrevistei Theodore "Dutch" Van Kirk, o navegador do Enola Gay, o bombardeiro que despejou a bomba atômica Little Boy sobre Hiroshima. Van Kirk vivia em um asilo na cidade de Stone Mountain, no estado americano da Geórgia, onde morreu nove anos depois. "Foi uma das missões mais fáceis da minha vida. O único risco era ter a certeza de que estaríamos a uma altitude segura, distante o suficiente da explosão", disse Van Kirk, na entrevista publicada pelo Correio. "Se tivéssemos as condições com que trabalhamos naquele dia, com certeza eu faria tudo de novo", acrescentou.

Apenas nove países possuem mais de 12.512 ogivas nucleares — Rússia, com 5.889; e Estados Unidos, com 5.224, lideram o ranking do arsenal de destruição em massa. A explosão de uma única bomba atômica causaria, em média, 583 mil mortes. Se todas as ogivas fossem detonadas de uma só vez, a população da Terra seria literalmente dizimada. Um bombardeio nuclear em larga escala, em tempos atuais, seria extremamente improvável. Um ataque do tipo levaria a uma reação em cadeia envolvendo potências atômicas, cujo resultado seria nefasto. Em tese, as armas nucleares existem para fins de dissuasão, para impor o medo no inimigo. 

A humanidade precisa se comprometer com a não proliferação, mas, também, com o desmantelamento de todo o arsenal nuclear. A exemplo do que ocorreu no último sábado, quando os Estados Unidos anunciaram que se desfizeram de suas últimas reservas de armas químicas. Não existe lugar, no mundo, para a bomba atômica. Oppenheimer e seus colegas, Van Kirk e os demais tripulantes do Enola Gay, teriam motivos de sobra para se envergonharem, se vivos estivessem. 

 


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