Violência

Artigo: Educação sexual como autopreservação

Muitas vezes, meninos e meninas não têm noção de que estão sofrendo agressões, seja por falta de conhecimento, seja porque o molestador é da família ou alguém conhecido

Cida Barbosa
postado em 10/08/2023 06:00
Educação sexual para estudantes -  (crédito: Caio Gomez)
Educação sexual para estudantes - (crédito: Caio Gomez)

Na semana passada, em Valparaíso de Goiás, um idoso, de 62 anos, foi preso pelo estupro de uma garotinha, 8. Os abusos aconteciam quando a menina ia brincar com a neta dele. O pedófilo dizia para a vítima que estava fazendo "brincadeiras". Mas uma palestra na escola sobre crimes sexuais mudou o rumo dessa perversidade. A criança percebeu que as "brincadeiras", na verdade, eram uma violência, e denunciou o canalha. Não fosse aquela informação recebida no colégio, que a fez identificar as agressões, a menina, possivelmente, continuaria a ser submetida à crueldade por mais tempo.

Há um sem-número de relatos semelhantes pelo país. Em Foz do Iguaçu (PR), uma adolescente, 13, denunciou o padrasto, após assistir a uma palestra na escola sobre o tema. Em Manacapuru (AM), quatro estudantes contaram ao Ministério Público terem sofrido assédio e estupro. A denúncia foi feita no evento MP nas Escolas, trabalho que leva informação sobre abusos sexuais contra meninos e meninas. Em Matias Barbosa (MG), a Polícia Civil promovia um seminário a respeito de violência doméstica quando uma adolescente, 15, denunciou o tio, que a estuprava desde que ela tinha 11 anos.
São por esses — e outros motivos — que ensinar educação sexual nas escolas é medida das mais importantes no enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes. O Ministério da Saúde anunciou que o tema voltará a ser ministrado no ensino básico, como parte do Programa Saúde na Escola. Entre os tópicos, está justamente a prevenção de abusos.

Muitas vezes, meninos e meninas não têm noção de que estão sofrendo agressões, seja por falta de conhecimento, seja porque o molestador é da família ou alguém conhecido, em quem têm confiança — segundo o anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a casa das crianças é o principal local dos ataques: 68,3% dos casos. E 86,1% dos predadores são conhecidos; 64,4%, da própria família.

Orientar a respeito do assunto é uma das formas apontadas por especialistas para combater estupros. Temos de desmistificar essa ideia de que educação sexual é para ensinar crianças a fazerem sexo. Na verdade, é para conscientizá-las, respeitando, claro, as etapas de desenvolvimento de cada uma delas. Se estiverem informadas, quando tocadas com desconforto, numa parte íntima, vão saber que algo está errado e conseguirão pedir socorro mais rápido. Educação sexual é, especialmente, para a proteção de crianças e adolescentes.

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