Futebol

Seis razões para Dorival Júnior dar certo na Seleção Brasileira

Quer um motivo para não dar certo? De 2012 a 2022, a CBF teve mais presidentes do que técnicos: 5 x 4

Dorival Júnior é apresentado como novo técnico da Seleção Brasileira -  (crédito:  Staff Images / CBF)
Dorival Júnior é apresentado como novo técnico da Seleção Brasileira - (crédito: Staff Images / CBF)
postado em 13/01/2024 10:45 / atualizado em 13/01/2024 10:45

1. Pacificador — Dorival Júnior se parece com o italiano Carlo Ancelotti neste quesito. Ex-sonho de consumo do presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, o técnico do Real Madrid consegue transformar um vestiário em crise num ambiente de paz. O novo técnico da Seleção fez isso ao levar o Flamengo aos títulos da Copa do Brasil e da Libertadores em 2022; e no São Paulo na temporada passada ao brindar o tricolor com o título inédito no mata-mata nacional.

2. Desenvolvedor de talentos — Dorival Júnior comandou um Santos inesquecível nas conquistas do Paulistão e da Copa do Brasil, em 2010. Liderava meninos da Vila como Ganso, Neymar, André, Zé Love, Alex Sandro... Na última passagem pelo Flamengo, catapultou a carreira do volante João Gomes, vendido ao Wolverhampton Wanderers. Rodrigo Nestor, Pablo Maia e o zagueiro Beraldo, recém-negociado com o PSG, evoluíram sob a batuta dele. A Seleção tem uma geração jovem, com Vitor Roque, Endrick, Vinicius Junior, Rodrygo...

3. Visão global — Dorival Júnior foi de tudo um pouco em 54 anos dedicados ao futebol. Mascote da Ferroviária de Araraquara (SP), jogador, gerente de futebol do Figueirense, assistente, técnico de 12 dos 20 clubes da Série A de 2024, fundador da Associação Brasileira de Treinadores de Futebol e teve até cadeira no Ministério do Esporte na Autoridade Pública de Governança do Futebol. Ele e o colega de profissão Vágner Mancini ocupavam as vagas destinadas aos treinadores nos debates sobre políticas públicas para o esporte mais popular do país.

4. Maleabilidade tática — Chamar as nomenclaturas dos sistemas de jogo de "balela" não foi elegante, mas o repertório nas principais conquistas está longe de ser autoral. Muito menos samba de uma nota só. O Santos de 2010 era trabalhado no 4-3-3, com Ganso na armação, Neymar e Robinho nas pontas e André no papel do centroavante. O Flamengo ganhou a Copa do Brasil e a Libertadores com Gabigol e Pedro na frente. Reinventou Alisson e Nestor no São Paulo.

5. Personalidade — Dorival Júnior compõe com medalhões, mas também se impõe. Bancou James Rodríguez no banco de reservas na final da Copa do Brasil, viu o colombiano torcer o nariz para a decisão, mas levou o tricolor ao título nacional contra o Flamengo. Perdeu a queda de braço com Neymar em 2010 no Santos, mas mostrou personalidade ao se posicionar. Deixou o clube em nome da disciplina e abriu mão inclusive da multa rescisória depois da rebeldia do craque em campo e no vestiário. René Simões detonou Neymar à época.

6. Coração de estudante — Desempregado em 2015, passou um mês na Europa trocando ideias com Guardiola no Bayern de Munique; Diego Simeone no Atlético de Madrid, e Carlo Ancelotti no Real Madrid. Voltou inspirado para levar o Santos ao vice no Brasileirão de 2016. Apresenta conceitos sólidos, métodos rápidos de ensino e consegue montar times equilibrados. Quer um motivo para não dar certo? De 2012 a 2022, a CBF teve mais presidentes (José Maria Marin, Marco Polo Del Nero, Coronel Nunes, Rogério Caboclo e Ednaldo Rodrigues) do que técnicos (Mano, Felipão, Dunga e Tite). Boa sorte!

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