
Visão do Correio - Em 2025, o Brasil esteve no centro das discussões globais sobre o meio ambiente com a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, no Pará, no mês de novembro. Mais do que uma honra diplomática, sediar o evento colocou o país, dono da maior floresta tropical do planeta, com a responsabilidade de apresentar alternativas para a preservação. Agora, com o início de 2026, a necessidade de escolher entre retórica e ações se apresenta de forma urgente. A virada de calendário, que renova promessas, também traz a pressão por soluções.
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Ontem, já nas primeiras horas do novo ano, os brasileiros enfrentaram altas temperaturas, um dos reflexos da crise do clima que vem se intensificando. Fato é que, pelo imenso território nacional, os eventos extremos se acumulam: são secas prolongadas, enchentes devastadoras e ondas de calor e de frio recordes que deixaram de ser exceção e passaram a fazer parte da rotina da população. Além da percepção do dia a dia, o consenso científico prevalece, os dados surgem em abundância e os alertas são reiterados, comprovando que o que falta não é diagnóstico, mas execução.
Longe de ser um tema abstrato ou ideológico, as alterações climáticas impactam a vida de todos e ignorá-las tem custos econômico, social e humano crescentes. Diante disso, os discursos solenes que se estendem sobre esses problemas já não cabem mais na realidade brasileira. As evidentes contradições espalhadas pelo país, que ainda convive com desmatamento, garimpo ilegal e conflitos socioambientais persistentes, precisam ser sanadas.
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Nas últimas décadas, planos foram anunciados com prazos longos e resultados insuficientes. Os compromissos firmados se multiplicaram, porém não se concretizaram da maneira esperada e com a emergência que as mudanças climáticas demandam. No papel — e também em projetos bem-sucedidos — o Brasil já demonstrou possuir capacidade para dar respostas à altura dos desafios. Só que não basta debater e elaborar metas, é fundamental que elas sejam contempladas em orçamentos públicos para serem desenvolvidas. Nesse campo, o financiamento, a fiscalização contínua e as políticas de prevenção dependem da integração entre União, estados e municípios.
Do lado da iniciativa privada, a questão não deve se limitar às estratégias de imagem: a preocupação com o verde precisa orientar os investimentos, as cadeias produtivas e a inovação. Da mesma forma, a sociedade deve ser chamada à corresponsabilidade, sem tratar o assunto como agenda futura. Ao contrário. Em mais um ano que começa, os brasileiros têm a chance de exigir que o país se reposicione internamente em relação à crise climática, passando a ser um exemplo para o mundo. Biodiversidade e conhecimento técnico para transformar esse potencial em soluções concretas existem de sobra.
A proteção plena do meio ambiente não pode mais esperar. Os ciclos de resultados tímidos devem ser encerrados, abrindo espaço para um processo transparente de transição e preservação. Colocar esse cuidado na rotina nacional é a saída para garantir qualidade de vida. As escolhas de cada cidadão — especialmente políticas, com o voto nas eleições de outubro próximo — precisam ser tomadas com extrema consciência ambiental.

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