ARTIGO

Macarronada de Nara

Nara Leão viveu uma temporada em Brasília. Fui entrevistá-la, batemos um longo papo e, ao final da conversa, me vi diante de uma deliciosa macarronada preparada pela musa da Bossa Nova

Na segunda metade da década de 1980, separada do cineasta Cacá Diegues, Nara Leão viveu uma temporada em Brasília, na companhia de Paulão, um servidor público morador da Asa Sul. Soube disso e fui até lá com o intuito de entrevistá-la. Batemos um longo papo e, ao final da conversa, me vi diante de uma deliciosa macarronada preparada pela musa da bossa nova.

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Segunda-feira última, vindo do Rio de Janeiro a bordo do avião, lí em O Globo uma matéria que registrava o lançamento de um álbum com o registro de gravações despretensiosas da cantora que, se viva estivesse, estaria completando 84 anos.

Aprofundei a pesquisa e descobri que essa preciosidade foi uma descoberta do produtor Raymundo Bittencourt , sócio de Roberto Menescal, de quem é amigo há 60 anos. Ele localizou, em um armário, uma fita DAT com coisas antigas guardadas pelos dois. 

Sob o título A bossa rara de Nara, o material estará disponível nas plataformas digitais no próximo domingo, Dia da Bossa Nova — data de aniversário do genial pianista e compositor Antônio Carlos Brasileiro Jobim. Tive o privilégio, na década de 1980, de entrevistar o eterno Maestro Soberano — como o chamava Chico Buarque de Holanda —  na mansão onde ele morava no Alto Leblon, com vista para o Jardim Botânico.

Voltando ao disco de Nara, inicialmente foi lançado, nesta segunda-feira, o primeiro single com o clássico Chega de saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), canção definidora do movimento bossanovista, à qual se juntam Manhã de carnaval (Luiz Bonfá e Antônio Maria), Você e eu (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes) e O barquinho (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli), entre outras. 

Inquieta, Nara foi além em seu trabalho. O canto pequeno e afinadíssimo dela pode ser ouvido, por exemplo, em Lindonéia, faixa do incensado álbum da Tropicália, movimento liderado por Caetano Veloso e Gilberto Gil, com a participação de Tom Zé, Gal Costa e Mutantes. Ganhou destaque, também, Diz que fui por aí, samba raíz composto por Zé Keti.

Para que houvesse esse lançamento, houve a autorização de Isabel Diegues e do irmão Francisco, filhos de Nara com Cacá Diegues. A filha destaca que o disco se junta à série O canto livre de Nara Leão, que pode ser apreciada na Globoplay; e aos vários perfis no Instagram em homenagem à inesquecível cantora.

https://www.correiobraziliense.com.br/webstories/2025/04/7121170-canal-do-correio-braziliense-no-whatsapp.html 

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