ANDRÉ GUSTAVO STUMPF, jornalista
Parte importante da grande imprensa lamenta, de forma ostensiva ou discreta, a decisão do governador de São Paulo, Tarcísio Freitas de se candidatar à reeleição. Essa escolha não foi decidida de última hora, nem a ela o personagem chegou de maneira afoita. Ao contrário, desde o final do ano passado ele havia manifestado a pessoas de sua confiança que não gostaria de bater de frente com o presidente Lula. E também não queria ser um candidato tutelado pela família Bolsonaro, que abriga dissidências, problemas, questões internas pesadas, ódios e rancores. Enfim, um grupo tóxico. Melhor ficar distante, sem romper seus laços. Afinal de contas, Tarcísio tornou-se governador de São Paulo por indicação de Jair Bolsonaro. Ninguém deve atirar pedras no passado.
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Esse era um caminho decidido. Supostamente mais fácil, menos tumultuado, que resguarda o governador para sua verdadeira opção: ser candidato à Presidência da República nas eleições de 2030. Quatro anos fazem uma eternidade no Brasil. O país sofreu muito nas últimas décadas como consequência do radicalismo, que impediu petistas de tomarem as decisões certas e inibiu conservadores de enxergarem a realidade. O mais claro e gritante exemplo é a tragédia da empresa estatal de correios no Brasil. Conseguiu a proeza de realizar deficit de R$ 12 bilhões, significa que, além de gestão ruinosa e irresponsável, a empresa foi conduzida por políticos com interesses paroquiais. O resultado é calamitoso.
A questão política no Brasil se reduziu às narrativas, que, de tanto serem repetidas, tendem a prevalecer como verdade. A gestão de tendência esquerdista, como se pretende à do PT, privilegia a ação social. O custo é imenso. Mais da metade da população brasileira está registrada nos computadores do Ministério do Desenvolvimento Social, que controla as diversas bolsas distribuídas pelo governo. O governo também controla o IBGE, o que facilita a divulgação de números favoráveis à atual gestão. O apoio à metade dos brasileiros custa caro, muito caro. Os impostos asfixiam a economia, obrigam o Banco Central a colocar os juros na estratosfera e inibem o crescimento econômico. Quando reconheceu o governo de Pequim, em 1975, o Brasil tinha produto interno bruto várias vezes superior ao da China. Hoje é o contrário. O Brasil parou nas últimas décadas.
Liberalismo e conservadorismo são essências diferentes, embora possam haver coincidências e valores comuns. O liberalismo é uma doutrina que não tem resposta para tudo, como pretende o marxismo, admite a crítica e a divergência, porque a liberdade é o valor supremo que deve se manifestar em todos setores, econômico, político, social, cultural e até no esporte. Todos os regimes que estimularam a liberdade econômica, sem a contrapartida política, fracassaram, como ocorreu com as ditaduras militares que infestaram o sul da América.
O Estado pequeno é mais eficiente do que o grande. Quanto mais cresce o Estado, mais atribuições assume na vida do cidadão. Ou seja, quanto maior o Estado, menor é a liberdade do indivíduo. A descentralização é princípio liberal para que haja mais controle da sociedade sobre as diversas instituições políticas e sociais. O liberalismo foi o sistema mais caluniado ao longo da história, seja pelos socialistas, comunistas e até pelas encíclicas papais. A verdade histórica desmente essa difamação. A doutrina liberal representa a forma mais avançada de cultura que faz progredir, nas sociedades livres, os direitos humanos, a liberdade de expressão, os direitos das minorias e a defesa do meio ambiente.
O contrário de tudo isso é o chamado, pelos especialistas e estudiosos, de espírito tribal, a saudade do homem daquele mundo tradicional — a tribo —, em que o indivíduo era parte inseparável da coletividade, subordinado ao feiticeiro ou ao cacique todo-poderoso. Ele é tratado como um animal na manada, ou no rebanho, adormecido pelos que falam o mesmo idioma, adoram os mesmos deuses e odeiam o outro, o diferente. Esse fenômeno, a saudade da tribo, produziu aquele espetáculo estranho, surreal e lamentável de um bando de brasileiros se reunir para fazer orações diante de enorme pneu de trator, na frente do Comando do Exército, em Brasília. Sintoma de uma sociedade doente.
Tudo isso estará em jogo na eleição deste ano. O Brasil precisa se reencontrar com o caminho do desenvolvimento, do crescimento econômico e integrar o trabalho das sociedades avançadas na pesquisa de novas tecnologias e da área espacial. O país não consegue defender, de maneira eficaz, suas fronteiras, nem seu litoral. Não sabe produzir, nem lançar satélites, depende de tecnologia estrangeira para suas comunicações mais sigilosas. É um gigante completamente adormecido para as exigências do século 21.
