Em tempo de folia na contagem regressiva de 115 dias para o início do desfile do Brasil contra Marrocos, em 13 de junho, no MetLife Stadium, em New Jersey, proponho uma reflexão adaptada à crise da Seleção: o que foi feito do legado dos nossos "carnavalescos", os técnicos do país capazes de levantar a "Sapucaí" com times inesquecíveis na passarela da Copa do Mundo? Vicente Feola (1958), Aymoré Moreira (1962), Mário Jorge Lobo Zagallo (1970), Carlos Alberto Parreira (1994) e Luiz Felipe Scolari (2002) procuram um sucessor.
Nunca antes na história deste país nossa escola entrou na apoteose sob o comando de um diretor artístico estrangeiro. O competente italiano tem a missão de comandar a única escola de samba pentacampeã na América do Norte sem componentes à altura da imponente fantasia verde-amarela. Ele precisa incorporar um Joãosinho Trinta da vida. Transformar "lixo" em "luxo", como no desfile da Beija-Flor em 1989, com o enredo Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia.
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
- Leia também: Instintos entorpecidos
Ratos e urubus não queriam soltar a Amarelinha. Prejudicaram o ciclo da Seleção de 2023 a 2026. Resultado: o barracão verde-amarelo trabalha a toque de caixa. Mestre Carletto tem apenas mais uma convocação, em 16 de março, para costurar a agremiação antes da escolha dos 26 componentes em 19 de maio, no Rio. Os últimos testes serão contra a França e a Croácia. Dois ensaios longe da comunidade, em 26 e 31 de março, respectivamente, nas cidades de Boston e Orlando, nos Estados Unidos.
O maior espetáculo da bola está chegando, e os foliões não conhecem sequer o enredo (escalação) depois de um ciclo de crise na CBF marcado pela destituição do presidente Ednaldo Rodrigues e a ascensão de Samir Xaud. Houve quatro carnavalescos diferentes: Ramon Menezes, Fernando Diniz, Dorival Júnior e Carlo Ancelotti ocuparam o cargo. Todos com maneiras diferentes de dispor as alas em campo.
Sim, vimos isso em outros carnavais. O ciclo do penta desandou. Começou com Vanderlei Luxemburgo, passou às mãos de Candinho, caiu no colo de Émerson Leão e terminou com o iluminado Luiz Felipe Scolari campeão na vitória por 2 x 0 contra a Alemanha. Há uma diferença! Naquela época, havia confete e serpentina. Ronaldo e Rivaldo no carro abre-alas, um passista nota 10 chamado Ronaldinho Gaúcho e o recuo da bateria coordenado pelos laterais Cafu e Roberto Carlos. Nostalgia.
- Leia também: Bad Bunny, Trump e o Super Bowl
Mestre Ancelotti não desfruta de nada disso. A torcida é para que uma combinação de Joãosinho Trinta, Rosa Magalhães, Carlinhos de Jesus, Jamelão, Dona Zica, Cartola e outros semideuses do carnaval inspirem o italiano a injetar samba nos pés de Vinicius Junior, Raphinha, Rodrygo, Estêvão... O italiano irá à Sapucaí.
Temos uma boa comissão de frente; uma velha-guarda liderada por Alisson e Casemiro; a bateria regida pelo mestre Bruno Guimarães para não atravessar o samba; uma ala das crianças promissora com Estêvão, Endrick e, quem sabe, Rayan. O carnavalesco Ancelotti ainda espera pelo passista Neymar em busca do estandarte de ouro em 19 de julho.
