
» SILVESTRE GORGULHO, Jornalista. Foi Secretário de Estado de Comunicação e de Cultura de Brasília
O mundo é movido pela mulher. O motivo é simples e factual. A mulher carrega dentro de si a discreta, silenciosa e divina energia que inspira, excita, ilumina, constrói, lidera, educa e que faz a diferença na família e na sociedade. Mulher é o tema de ontem, de hoje e de sempre, como bem foi mostrado no debate "O Brasil pelas mulheres: proteção a todo tempo", realizado pelo Correio Braziliense, dia 26 passado.
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Vale lembrar: este mês de março é duplamente dedicado ao gênero feminino.
Primeiro, por ser o 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, cuja semente foi plantada em 1908, quando 15 mil mulheres marcharam pela cidade de Nova York, exigindo a redução das jornadas de trabalho, salários melhores e direito ao voto.
Segundo, porque para celebrar o Dia Mundial da Água de 2026, em 22 de março, a Organização das Nações Unidas teve por bem propor uma reflexão sobre a relação entre água e o gênero feminino. Assim, o Dia Mundial da Água deste ano tem como tema "Água e Gênero". Sim, até quando se trata de falar de recursos hídricos, a mulher tem funções relevantes. O papel da mulher no uso da água, no gerenciamento dos recursos hídricos e na preservação da qualidade dos ecossistemas aquáticos é fundamental. Sempre que falta acesso às fontes de água doce, ao saneamento básico e à higiene apropriada nas casas, são as mulheres as mais afetadas e as mais exigidas. Muito mais do que os homens. Mais grave: em ambiente degradado, as mulheres são as primeiras a serem atingidas.
A verdade universal é que onde quer que uma mulher decida estar, ela fica com a maior responsabilidade de fazer a diferença, seja no ambiente familiar, na cidade, no campo, nas salas de aula, nos hospitais, na redação de jornal e, até mesmo, na política. Mesmo porque, até mesmo no mundo animal, o gênero feminino está preparado para ser mãe. É de sua natureza amamentar, acalentar, cuidar dos filhos e da casa.
A ex-primeira-ministra da Inglaterra Margaret Thatcher deixou uma máxima, mostrando que quando o Estado cuida bem das mulheres, está cuidando diretamente de 70% da população e, indiretamente, dos outros 30%.
O tema "Água e Gênero" tem sido debatido desde a Conferência de Dublin sobre Água e Desenvolvimento Sustentável, realizada na Irlanda, em 31 de janeiro de 1992, quando se reconheceu a importância do papel da mulher como gestora do uso dos recursos hídricos, sobretudo em comunidades de baixa renda. A declaração oficial da conferência foi clara: "As mulheres desempenham papel central na prestação, gestão e salvaguarda da água. Esse papel fundamental das mulheres como provedoras, usuárias de água e guardiãs do ambiente vivo raramente se refletiu em arranjos institucionais para o desenvolvimento e gestão dos recursos hídricos". Na verdade, o balanceamento do gênero é importante em todos os níveis da imensa maioria das atividades humanas. O homem e a mulher têm demonstrado algumas diferenças de aptidões em determinadas tarefas. Tirar proveito dessas vocações para que a eficiência do trabalho aumente constitui a essência do debate sobre a equidade de gênero.
Neste Dia Mundial da Água, em 22 de março, a ONU quer chamar a atenção para o papel das mulheres que coletam e gerenciam a água, muitas vezes em condições de alta vulnerabilidade, como ao cuidar de pessoas doentes, a busca da água para sobrevivência da família, as dificuldades em explorar mananciais contaminados, o problema para conseguir água em regiões pobres, a saúde e a segurança. Mesmo assim, as mulheres são, frequentemente, excluídas dos processos de tomada de decisão. Por isso, é necessário colocar as mulheres no centro da busca por soluções. Daí a proposta da ONU, neste ano, ao chamar atenção para a campanha: "Onde a água flui, a equidade de gênero cresce".
Quem trabalha na gestão de recursos hídricos, tanto na Agência Nacional da Água como nas Agências reguladoras estaduais, todos sabem que é essencial debater formas de ampliar a presença feminina na gestão dos recursos hídricos. O tema proposto pela ONU para o Dia Mundial da Água-2026 chega em momento muito oportuno, já que cada vez mais amplia-se o debate sobre como as mulheres podem fortalecer sua participação na gestão da água.
As mulheres têm uma participação especial no futuro da família, da comunidade e da sociedade. Da mesma forma, elas devem ter voz igual na condução de uma política de recursos hídricos e, até mesmo, na política partidária e na gestão do país.
Toda mulher carrega dentro de si, entre sorrisos e cicatrizes, a força divina da proteção e formação dos filhos e condução da família. E, quanto mais vulnerável, mais guerreira ela é. Apesar da violência frequente a que são expostas, fica uma constatação: a mulher, que tem grandes missões e o dom de carregar tantas responsabilidades, está sempre a postos para mover e mudar o mundo.
