ARTIGO

CadÚnico completa 25 anos como eixo da transformação social no Brasil

Sem informação sobre os mais vulneráveis, o Estado atua no escuro. Com essa informação, é possível direcionar políticas para os públicos mais vulneráveis e as regiões com maior desigualdade

PRI-1204-OPINI -  (crédito: Maurenilson Freire/CB/DA Press)
PRI-1204-OPINI - (crédito: Maurenilson Freire/CB/DA Press)

Wellington Diasministro da Assistência e Desenvolvimento Social, Família e Combate à Fome; Rafael Osorio secretário nacional da Secretaria de Avaliação, Gestão da Informação e Cadastro Único  

O Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, ou CadÚnico, completa 25 anos em 2026. Desde a sua criação, tornou-se a principal base de identificação da população de baixa renda no país. Hoje, 42,2 milhões de famílias — cerca de 96 milhões de brasileiras e brasileiros — estão nele registradas. Isso representa quase metade da população brasileira, um retrato fiel da diversidade e das desigualdades do nosso país. 

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Criado em 2001 como um formulário para beneficiários de todos os programas federais de transferência de renda, o Cadastro Único ganhou escala a partir de 2003, com a criação do Programa Bolsa Família. Até então, cada programa mantinha o próprio registro de beneficiários. A unificação reduziu sobreposições e inconsistências, como resultado atualmente temos uma base de dados robusta e atualizada periodicamente.

A partir de 2005, o governo federal junto com os estados e os municípios iniciaram um processo contínuo de qualificação dos dados que compõem o cadastro. O trabalho é coordenado no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (Suas). Cada ente tem papel definido: municípios coletam informações, estados apoiam a gestão local, e a União coordena, normatiza, supervisiona e ajuda a financiar. Esse modelo descentralizado garante a qualidade e maior precisão dos dados. 

Com base nesses dados, 46 programas federais selecionam seus beneficiários. Entre eles, estão o Programa Bolsa Família, o Benefício da Prestação Continuada (BPC), o Pé-de-Meia — poupança de incentivo financeiro-educacional para alunos do ensino médio —, a Tarifa Social de Energia Elétrica, o Gás do Povo e o Minha Casa, Minha Vida. Estados e municípios também usam o Cadastro Único para as próprias políticas públicas.

O CadÚnico reduz fraudes, melhora o planejamento e garante que os recursos cheguem a quem mais precisa. As informações coletadas incluem renda, moradia, escolaridade e acesso a serviços básicos, entre outras. Em 2025, o novo sistema de Cadastro Único ampliou sua capacidade de buscar dados em outras bases do governo federal. Isso permite acompanhar mudanças na vida das famílias com mais rapidez.

O lema do Cadastro Único é "Conhecer para Incluir". Sem informação sobre os mais vulneráveis, o Estado atua no escuro. Com essa informação, é possível direcionar políticas para os públicos mais vulneráveis e as regiões com maior desigualdade.

Por sua escala e êxito, o Cadastro Único enfrenta também desafios: a ampliação do financiamento da rede do Suas, onde ocorre o atendimento à população; a garantia da cobertura em áreas remotas, como comunidades ribeirinhas e territórios rurais de difícil acesso; e a democratização dos avanços tecnológicos, que precisam chegar a todas as famílias de baixa renda, sem exclusão digital.

É por isso que nosso maior compromisso é levar o máximo de famílias para a classe média. Essa é a forma mais segura de garantir que o Brasil nunca mais volte ao Mapa da Fome. Queremos aproveitar a atual retomada econômica para criar as condições estruturais de ascensão social. O Cadastro Único é a ferramenta que permite identificar quem está pronto para dar esse salto — por exemplo, famílias cujos jovens concluíram o ensino médio e precisam de um primeiro emprego, ou microempreendedores informais que podem acessar linhas de crédito orientado, por meio do Acredita.

Neste mês de abril, os 25 anos do Cadastro Único serão marcados por atividades comemorativas em todo o país. No dia 15, uma cerimônia no Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília, reunirá gestores municipais, estaduais e federais. A data celebra uma rede de cooperação que conecta políticas públicas às famílias que delas necessitam. Sem esse elo, a redução da pobreza não ocorre na escala necessária.

A verdadeira celebração do Cadastro Único acontece todos os dias nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), nas comunidades ribeirinhas e nas periferias, onde ele promove o acesso a direitos. Conhecer para Incluir não é apenas um lema, é um método de construir justiça social.

 

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Por Opinião
postado em 12/04/2026 06:00
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