Na hercúlea missão de combater o abuso sexual de crianças e adolescentes, a Polícia Federal (PF) realizou mais um trabalho fantástico nesta semana. Com ações em todos os estados e no Distrito Federal, resgatou cinco vítimas de predadores sexuais e fez 44 prisões em flagrante.
Os agentes foram à caça, especialmente, dos que produzem, vendem, compartilham ou armazenam material de abuso infantojuvenil. É um trabalho árduo para as forças de segurança conseguir identificar os criminosos, porque eles usam todo tipo de artimanha no subterrâneo da internet para não serem rastreados.
Com investigações minuciosas, os agentes chegam aos abusadores e, por vezes, a suas vítimas. É sempre importante lembrar que cada foto, cada vídeo corresponde a uma criança ou a um adolescente violentado.
Os pedófilos estupram meninas e meninos — inclusive bebês —, filmam ou fotografam tudo e abastecem o mercado da chamada pornografia infantil. Na operação desta semana, a PF encontrou, no Amazonas, um local usado como estúdio de gravação da violência. Ainda no estado, agentes resgataram uma criança em situação de rua que estava sofrendo abusos.
Crimes cibernéticos também têm sido um dos focos, já que as redes sociais, sem a devida regulação, são terreno fértil para molestadores encontrarem vítimas. Em três casos em Santa Catarina, por exemplo, abusadores induziam crianças a produzir conteúdo sexual e, de posse do material, as obrigavam, também, a se mutilar, sob ameaça de divulgar as imagens.
Quem armazena ou compartilha pornografia infantil não é menos criminoso do que os que a produzem. Mesmo que não machuque as vítimas diretamente, contribui para que essa engrenagem nefasta continue a ser movimentada pelo sofrimento de meninos e meninas.
Ao anunciar a operação, a Polícia Federal alertou os pais sobre a necessidade de acompanharem o uso da internet pelos filhos, como forma de reduzir riscos. "O diálogo aberto sobre segurança no ambiente digital e a orientação para que crianças e adolescentes comuniquem situações suspeitas também são medidas importantes de proteção", destacou a corporação.
As novas tecnologias, ao passo que facilitaram, e muito, o nosso dia a dia, abriram mais portas para a violência contra a camada mais vulnerável da população. Como disse a delegada Rafaella Parca, da PF, o abuso sexual infantojuvenil é um "problema complexo que precisa de uma resposta coletiva". O enfrentamento a essa abominação tem de envolver todos nós: Estado, sociedade e, principalmente, família.
