
A Copa do Mundo se foi e ficou registrado na memória do gravador do meu telefone uma divertida lembrança do áudio da entrevista exclusiva que fiz com Jair Ventura Filho, o Jairzinho, em 26 de fevereiro deste ano, na mesa de um restaurante do Pontão do Lago Sul, publicada no Correio e no blog Drible de Corpo.
No fim da nossa conversa, o irreverente Jairzinho assumiu o papel de jornalista e decidiu me interrogar. "Vou sair do papel de entrevistador para o de entrevistado. O que você acha do futebol brasileiro hoje?", questionou o Furacão do Tri, único jogador a balançar as redes em todos jogos em uma edição da Copa: seis bolas na rede em seis partidas na campanha da edição de 1970 no México.
Respondi: "Acho que o futebol brasileiro valoriza muito hoje a força física, a velocidade, essa questão de intensidade, e a técnica fica em segundo plano. Os jogadores técnicos estão perdendo espaço".
A entrevista de Jairzinho continuou. "Qual é o ponto forte do futebol brasileiro hoje?". Eu disse imediatamente sem deixar a bola cair: "Os pontas. Acho que o Carlo Ancelotti vai montar uma Seleção em cima dos pontas. Não há centroavante, faltam bons laterais, meias e ele (o italiano) vai investir nos pontas".
"Quem são os pontas", retrucou Jairzinho. Citei Vinicius Junior, Raphinha, Estêvão à época saudável... O Furacão interrompeu e fez outra pergunta: "Você acredita neles?". Afirmei que. para ganhar a Copa do Mundo, não, era insuficiente. Falta um grande meia, bons laterais, a era de Cafu e Roberto Carlos passou, não formamos outros".
Jairzinho olhou nos meus olhos e fez a pergunta definitiva que me fez lembrar daquela conversa. "Você aposta em quem hoje (26 de fevereiro de 2026) contra o Brasil na final de Copa do Mundo?
A minha escolha surpreendeu o camisa 7 do Brasil no tricampeonato. "Gosto da Espanha. Tem um bom futebol". Jairzinho interrompe: "Espanha? Quer valer um chope? Você é Espanha, eu sou Brasil", desafiou Jairzinho, um tanto contrariado. "Rapaz, faz tempo que eu não vejo alguém falar que a Espanha é grande candidata a campeã do mundo!".
Tive direito a réplica: "A Espanha é a atual campeã da Eurocopa, Jairzinho".
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"E daí", retrucou. "A Espanha vai jogar contra as seleções sul-americanas. Bom, tudo bem, você é daqueles que só acredita em quem está ganhando", riu.
Jairzinho terminou a entrevista dele comigo assim: "Vamos fazer o seguinte para encerrar: Eu sou Brasil, você escolhe uma seleção e está valendo um chope", bancou um dos ícones da melhor Seleção em quase 100 anos de história da Copa.
Mantive a Espanha como aposta, mas pedi garantias do pagamento e uma troca do produto. Como não bebo, reivindiquei um refrigerante e quis saber quando nos encontraríamos novamente para o acerto de contas. "É só você ir ao Rio de Janeiro".
No último domingo, a Espanha conquistou o bicampeonato mundial ao derrotar a Argentina por 1 x 0, gol de Ferran Torres aos 106 minutos da prorrogação. O baita zagueiro Cubarsí salvou o meu refri com uma interceptação impressionante no cruzamento de Messi para o quase gol do empate, que forçaria os pênaltis.
Eu estive no MetLife domingo para testemunhar o cumprimento da profecia. A caminho de Nova York depois do fim de 50 dias de cobertura, sentei no ônibus, encostei a cabeça na janela e lembrei da divertida resenha no Pontão no dia em que elegi a Espanha favorita, topei a aposta e ganhei do Furacão. Vou cobrar no Rio! Não sei mais do que o Jairzinho, longe disso, óbvio, mas como é bom estudar quatro anos para a prova — e gabaritar.
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