
Um dos fatores a explicar a queda na cobertura vacinal no Brasil é a percepção de parte da sociedade de que algumas doenças não oferecem mais perigo. Quem assim pensa certamente nunca se deparou com um caso de sarampo ou de poliomielite, por exemplo. E isso só é possível porque, lá atrás, gerações atendiam à convocação das autoridades de saúde e compareciam em peso para se vacinar contra essas e outras enfermidades. A conscientização e a presteza em procurar a proteção oferecida pelos imunizantes permitiram a blindagem que hoje temos contra uma série de moléstias.
As altas coberturas vacinais que outrora conquistamos possibilitaram a erradicação ou o controle de doenças preveníveis. Isso não significa, porém, que podemos baixar a guarda. Os agentes causadores delas continuam a circular por diversos países e podem retornar, se deixarmos as portas abertas.
Um exemplo é o sarampo. A cidade de São Paulo e municípios da região metropolitana enfrentam um surto da doença, provocado por casos importados. Para evitar que a enfermidade se alastre, o Ministério da Saúde está em campanha para vacinar todos os moradores desses locais, com idades entre 6 meses e 59 anos. Mesmo os que se imunizaram no passado devem receber a dose extra.
O sarampo é altamente contagioso, e a facilidade com que se propaga exige medidas céleres de contenção. Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus dias antes do aparecimento das manchas vermelhas pelo corpo, ou seja, tem potencial para espalhá-lo sem saber que está doente.
A negligência com a moléstia pode ser fatal. Entre as complicações, estão pneumonia — causa mais comum de mortes por sarampo entre crianças pequenas; infecção no ouvido, que pode levar à perda auditiva permanente; inflamação no cérebro e morte.
O imunizante contra sarampo é um dos disponíveis na Campanha Nacional de Multivacinação, que prossegue até 1º de setembro. No próximo sábado, ocorre o Dia D da mobilização em unidades de saúde de todo o Brasil. Pais ou responsáveis podem levar crianças e adolescentes menores de 15 anos que estão com doses em atraso, de qualquer um dos 20 tipos de imunizantes oferecidos, para atualizar a caderneta. A novidade da lista é a vacina pneumocócica 20-valente, incorporada em junho deste ano ao calendário nacional e indicada para crianças com menos de 5 anos. Ela protege contra pneumonias e meningites.
A imunização nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias é obrigação prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente. Aqui no Brasil, as doses são uma proteção acessível e gratuita. Não deixemos que meninos e meninas corram risco de sequelas graves e até de morte. Para além da obrigação imposta pela lei, vacinar é um ato de amor.
