Artigo

A rota de fuga dos técnicos

As seleções viraram mais do que zona de conforto, uma terapia. o mínimo de qualidade de vida e saúde mental

As seleções viraram mais do que zona de conforto, uma terapia. o mínimo de qualidade de vida e saúde mental -  (crédito:  Maurenilson Freire/CB/D.A Press)
As seleções viraram mais do que zona de conforto, uma terapia. o mínimo de qualidade de vida e saúde mental - (crédito: Maurenilson Freire/CB/D.A Press)

A temporada das principais ligas nacionais da Europa começa com um sentimento de abandono no retângulo pontilhado destinado aos técnicos de futebol. Figurões descobriram um porto seguro no mercado de seleções para quatro anos quase sabáticos em nome da saúde mental. Em vez da pressão diária de treinos, viagens e jogos, mais tempo para ficar com a família, observações remotas de partidas e atletas, ou seja, o popular home office, e pressão a cada dois ou quatro anos nas disputas de torneios continentais como, a Copa América e a Euro ou a Copa do Mundo. Essa licença-prêmio do estresse afastou dos campeonatos Alemão, Espanhol, Francês, Inglês, Italiano, Holandês e Português figurões como Carlo Ancelotti, Zinedine Zidane, Roberto Mancini, Thomas Tuchel, Jorge Jesus, Xavi Hernández, entre outros profissionais badalados.

Escrevo isso a propósito de duas declarações de dois dois treinadores importantíssimos no mundo da bola. Pep Guardiola pensa em se aposentar depois dos trabalhos no Barcelona, no Bayern de Munique e no Manchester City. “Eu nem sei o que vou fazer. Será difícil voltar. Esse é o meu sentimento hoje. Preciso renovar muitas coisas que aconteceram na minha vida pessoal. Preciso me encontrar um pouco em coisas diferentes. Preciso sentar e me desligar por um tempo. Esse é um dos principais objetivos”, afirmou o técnico mais revolucionário do início do século 21. “Eu estou divorciado da mulher mais bonita do planeta. É minha esposa, minha ex-esposa. Eu a amo incrivelmente. Mas perdemos a paixão”, desabafou, referindo-se a Cristina Serra, com quem teve três filhos em 10 anos de matrimônio.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Na última terça-feira, o técnico português do Palmeiras, Abel Ferreira, o mais estável e vitorioso do país desde 2020, chamou a atenção em uma crítica veemente. “Acho que o futebol de modo geral está doente. Se não ganhar é fraco, não presta, o segundo é uma m..., e por aí adiante. Andamos obcecados pelo sucesso, pelo primeiro lugar. O futebol está doente, essa é minha opinião. O futebol anda doente”.

Por isso figurões estão buscando tratamento nas seleções. A rotina é menos intensa. Carlo Ancelotti foi campeão na Alemanha, na Espanha, na França, na Inglaterra e na Itália. O único! O técnico da Seleção é o recordista de títulos da Champions League, com cinco troféus. Aos 67 anos, ele escolheu acelerar desacelerando.

Zinedine Zidane é bicampeão do Espanhol e tri da Liga dos Campeões como técnico. O “retiro” dele é na seleção da França no lugar de Didier Deschamps. Vencedor da Bundesliga pelo Bayern de Munique e da Uefa Champions League pelo Cheslea, o alemão Thomas Tuchel achou a “paz” na seleção da Inglaterra. Jürgen Klopp ostenta no currículo título no Inglês e uma Orelhuda. O refúgio dele passa a ser a Alemanha até a Copa de 2030. Roberto Mancini é tri do Italiano com a Internazionale, ganhou a Premier League com o Manchester City, levou a Itália à conquista da Euro em 2021, voltou ao mercado de clubes no Al-Sadd, mas está de volta à “zona de conforto” da Squadra Azzurra. Jorge Jesus ganhou Brasileirão, Português, Saudita, mas cansou dos clubes e assumiu Portugal. As seleções viraram mais do que zona de conforto, uma terapia. o mínimo de qualidade de vida e saúde mental.

  • Google Discover Icon
MP
postado em 22/08/2026 05:00
x