Vai demorar até que tenhamos o alcance real das investigações e das denúncias em curso relacionadas ao escândalo do Caso Master/BRB, incluindo todos os seus tentáculos. Mas há comentários e memes que me incomodam em particular. São aqueles do tipo "não sobrou ninguém" ou "só eu não recebi dinheiro do Vorcaro". Incomodam porque não correspondem à verdade, porque ajudam a normalizar a corrupção e porque acabam por envolver muitos políticos, magistrados e pessoas que se guiam pela retidão. Não vamos nos reduzir a essa gente covarde e desonesta. Os culpados são muitos, mas não são todos.
Parte importante da nossa República — ainda democrática, graças a muitos comprometidos com esse fim — está seriamente implicada nas investigações, que agora, enfim, poderão seguir sem sigilo ou vazamento seletivo. Creio que os acusados não valem a unha de cada garota suíça servida de bandeja a um grupo de sujeitos ordinários, que não honram nem as calças que vestem, muito menos os cargos que ocupam.
Abrimos o esgoto, e o que veio à tona é difícil de ignorar. Mas não, eu não queria estragar sua manhã de domingo com tema indigesto. Eu posso lhe servir algo melhor, como um cheirinho de bebê recém-nascido, um despertar encantador, um raio de Sol. Há poucos dias, nasceu Felipe, meu segundo neto, irmão de Liz, filho de Gabriel e Vanessa, o novo amor da minha vida. Olhar para ele me dá uma força tremenda para defender a democracia. Por ele, por Liz e por todas as pessoas corretas, dignas e que entendem o Brasil como uma casa bonita e próspera, não como um quintal de ditadores e corruptos.
Depois de uma semana tão crítica, uma amiga me confessou que está entendendo melhor os filhos, que decidiram não lhe dar netos, justificando que ninguém em sã consciência está com coragem de botar filho no mundo para assistir a tantos espetáculos grotescos e condená-lo a um planeta que pode se tornar irrespirável e inabitável muito mais rápido do que imaginávamos — a ciência está alertando!
Mas eu gostaria que minha amiga tivesse netos e que esses netos lhes dessem bisnetos. Eu vou votar para que as novas gerações tenham possibilidade de futuro. Eu vou convidar jovens e idosos a não se omitirem no dia da votação e desejo que todos vocês façam o mesmo. Essa gente mesquinha e ladra vai pagar e passar. O voto é nossa carta na manga. Juntar forças é juntar votos.
Nós vamos eleger pessoas sérias e comprometidas, eu ainda acredito. Preciso acreditar por Liz, por Felipe, pelas crianças, pelos famintos, pelas minorias, por quem luta dia e noite pelo país soberano que habitamos. A pergunta mais essencial a se fazer nem é necessariamente "em quem eu voto?", mas "por quem eu voto?".
