Visão do Correio

Educação, um desafio global

Melhorias na educação não são uma exigência apenas no Brasil — vide o impressionante movimento estudantil na França. Está claro que o ensino precisa ser tratado com responsabilidade, boa gestão e valorização dos professores

Um estudo do Datafolha, divulgado na semana passada, reforça a necessidade de se fortalecer a relação pessoal e direta entre quem ensina e quem aprende     -  (crédito: Freepik)
Um estudo do Datafolha, divulgado na semana passada, reforça a necessidade de se fortalecer a relação pessoal e direta entre quem ensina e quem aprende - (crédito: Freepik)

Em entrevista concedida ao Correio Braziliense na semana passada, a educadora Fátima Freire, filha de Paulo Freire, patrono da educação brasileira, externou um ponto de vista que vai ao encontro do sentimento dos alunos ouvidos por recente pesquisa realizada pelo Datafolha com mais de 5 mil estudantes do país. Há um consenso de que o professor é elemento crucial para um fator decisivo no ensino — a aprendizagem. 

Autora do livro Pedagogia da relação, lançado neste mês, Fátima Freire considera o vínculo entre professor e aluno o alicerce da educação. A terceira publicação da educadora fecha uma trilogia sobre a experiência de mais de 50 anos no ensino. Freire é categórica: "Para eu construir um vínculo inteiro com o meu aluno, eu tenho realmente que ter coragem de estar com ele. E nós estamos com uma extrema dificuldade de simplesmente estar", comenta.  "Estou convencida de que a escola, de forma acelerada, está deixando de ser o espaço crucial de humanização para todos nós", afirma a educadora.

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O estudo do Datafolha, divulgado na semana passada, reforça a necessidade de se fortalecer a relação pessoal e direta entre quem ensina e quem aprende. A pesquisa ouviu jovens de 12 a 21 anos nas cinco regiões do país e concluiu que os estudantes estabelecem uma relação direta entre a qualidade da escola e a capacidade do professor de explicar bem o conteúdo em sala de aula. Entre os entrevistados que consideram que os professores explicam bem os conteúdos, 75% avaliam a escola como boa ou ótima. Já entre aqueles que afirmam que os professores não explicam bem, esse percentual cai para 48%.

Para Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas da organização não governamental Todos Pela Educação, a conclusão é inequívoca: "Os estudantes colocam as oportunidades de aprendizagem no topo de suas expectativas sobre o que é uma boa escola. É um dado que ajuda a reforçar onde deve estar a prioridade absoluta da política pública nos próximos anos: na aprendizagem."

A demanda por avanços na aprendizagem vem em um momento crucial para a educação brasileira. Os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2025, divulgados em agosto, reforçam a urgência de se dar prioridade para aprendizagem, considerando o desempenho dos estudantes em disciplinas fundamentais como português e matemática.  

Esse desafio não é apenas no Brasil. Melhorias na educação não são uma exigência apenas no Brasil — vide o impressionante movimento estudantil na França. As queixas dos alunos europeus coincidem com o que se vê com frequência no Brasil: escolas sucateadas, ausência de professores, aulas irregulares e falta de funcionários. Iniciada em Paris, a revolta estudantil ganhou escala nacional e já superou os protestos históricos de 1968.  

Está claro, pois, tanto no Brasil quanto em outros países, que a educação precisa ser tratada com responsabilidade, boa gestão e valorização dos professores. A uma semana do segundo turno, convém verificar o que os candidatos à presidência e a governos estaduais têm a propor sobre esse tema crucial para o desenvolvimento da sociedade.

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postado em 18/10/2026 06:00
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