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Está chegando a hora!

A educação superior precisa estar no centro de um projeto nacional de desenvolvimento

Lúcia Teixeira — doutora em psicologia da educação e presidente do Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Ensino Superior) e da Unisanta

Estamos a um passo das eleições e deveriam estar na prioridade dos candidatos e candidatas fortalecer políticas públicas de promoção, proteção e defesa dos direitos das pessoas, com melhoria da educação, da saúde, da condição social, da empregabilidade, da proteção contra a violência, com segurança, oportunidades e dignidade para todos. Esses temas se complementam e são essenciais para um país mais justo e desenvolvido.

Mas, quando vemos que, no Brasil, a mulher só conquistou o direito de voto em 1932, percebemos que tudo caminha rápido demais em alguns temas, mas engatinha muito lentamente em outros. Mulheres e meninas ainda enfrentam violências e abusos na sociedade brasileira. E continua bastante reduzida a porcentagem de mulheres na política nacional. Apesar de representarem 53% do eleitorado, elas ocupam apenas 19% das cadeiras na Câmara dos Deputados e 20% no Senado Federal.

Votar é a melhor resposta dos eleitores para encarar os desafios e buscar nomes e programas que atendam aos anseios e preocupações que afetam o nosso dia a dia, além de cobrar a atuação dos eleitos.

Em relação à educação, por exemplo, quais são as propostas que podem garantir um ensino de qualidade desde a escola básica e a ampliação do acesso à formação universitária e ao emprego, e, com isso, contribuir de forma efetiva para o desenvolvimento social, científico e econômico?

O Brasil precisa de educação, ciência, engenharia, economia, produtividade, responsabilidade fiscal, inovação, segurança jurídica, empresas inovadoras e instituições capazes de transformar conhecimento em prosperidade para todos.

Apesar de o Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Ensino Superior) ter feito a lição de casa e encaminhado, para os 11 candidatos a presidente que concorrem nestas eleições, documento com propostas para ampliar o acesso, a permanência e o financiamento estudantil, garantir segurança jurídica e colocar a educação entre as prioridades do próximo governo — na medida em que ela é uma ponte para o futuro —, não temos a convicção de que as ideias formuladas receberão a atenção necessária.

Às vezes parece difícil despertar o entendimento — mesmos daqueles que se propõem a gerir os destinos da nação — de que a educação superior é instrumento de mobilidade social, geração de emprego e renda, aumento da produtividade, fortalecimento da cidadania e construção de uma economia mais competitiva. 

As instituições privadas têm um papel decisivo nesse processo, respondendo por aproximadamente 80% das matrículas de graduação e estando presentes, inclusive, em localidades onde a oferta pública inexiste ou é insuficiente.  E, na medida em que o envelhecimento da população vai fazer com que as pessoas se vejam obrigadas a trabalhar por mais tempo, a aprendizagem ao longo da vida passará a ser uma necessidade econômica e social que precisará ser enfrentada pelos que governam o país.

Assegurar as condições para que as instituições de educação superior atendam a essas necessidades prementes significa se preocupar em preservar sua sustentabilidade econômica e sua capacidade de investir em qualidade, infraestrutura, tecnologia e inovação, com previsibilidade regulatória.

Fortalecer a formação docente e valorizar os professores é igualmente urgente, pois a atuação deles é um dos principais fatores para garantir a qualidade da educação oferecida para a população, única forma de garantir o progresso social e o crescimento econômico que é esperado pelas gerações de brasileiros.

O documento encaminhado aos candidatos solicita que o próximo governo se preocupe em ampliar os investimentos em pesquisa, ciência, tecnologia, inovação e empreendedorismo. E ressalta que a educação superior precisa estar no centro de um projeto nacional de desenvolvimento de modo a reduzir desigualdades, criar oportunidades, elevar a produtividade e preparar o país para as transformações tecnológicas, sociais e econômicas das próximas décadas.

É isso que se espera dos futuros governantes do país. E é isso que a população que os escolherá merece receber depois que eles forem eleitos.

 

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