Bairro boêmio no centro do Rio de Janeiro, a Lapa é um dos locais da noite carioca que têm a preferência dos moradores e dos turistas nacionais e internacionais que visitam a chamada Cidade Maravilhosa para se divertir. Entre as atrações, estão os bares e restaurantes, principalmente aqueles onde ocorrem rodas de samba.
Passei a frequentá-la na década de 1990, e um dos motivos era o Semente, misto de boteco e casa de show. Tudo porque ali se apresentava Teresa Cristina que, acompanhada por um quarteto, interpretava clássicos do gênero mais representativo da MPB.
Numa das idas e vindas, sugeri ao saudoso Jorge Ferreira, proprietário do Feitiço Mineiro, na 306 Norte, que a trouxesse para se apresentar naquele estabelecimento. Em duas noites, num fim de semana, Teresa lotou o local. Tempos depois, ela reuniu muita gente para ouvi-la, no Terraço Shopping, na Área Octogonal.
Ao longo de sua trajetória, a sambista carioca, criada na Vila da Penha, lançou nada menos que 13 discos. Entre eles, os que gravou em homenagem a Cartola, Noel Rosa, Zeca Pagodinho e Caetano Veloso, com quem fez uma turnê pelo país em 2016. Num outro dos seus projetos, o Nos bares da vida, teve como convidadas Alcione, Áurea Martins, Alice Caymmi, Léo Jaime, Luciana Jobim e Leone.
Com quase 30 anos de carreira, lançou recentemente pelo selo Natura Musical novo trabalho fonográfico, o primeiro totalmente inédito e autoral, intitulado Tudo que eu tenho. Com produção e arranjos de Pretinho da Serrinha, o álbum reúne parcerias de Teresa com Marisa Monte (Pode acontecer), Moacyr Luz (Yabá), Quando a onda passar (Mosquito e Xande de Pilares), Meu bloco (Raul Di Caprio). Sozinha, a sambista compôs, entre outras, Canto pra ogum, Taturana e a faixa título.
Para a cantora, a exposição nesse novo trabalho, de forte cunho político, é o que ela tem para dizer de si, sobre a sociedade em que está inserida, na qual vive sua realidade de mãe solo, de uma filha chamada Lorena. Isso tem a ver também com o fato da Natura incentivar a liberdade criativa de uma artista. Teresa, deixa claro que o repertório nasceu de um olhar sobre si e o país.
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