Bolsonaro e Temer trocam afagos durante partida de delegação ao Líbano

Em discurso, o chefe do Executivo agradeceu ao ex-presidente e se disse honrado por ele ter aceito o convite

Ingrid Soares
postado em 12/08/2020 12:45 / atualizado em 12/08/2020 13:24
Temer agradeceu em nome dos pais libaneses -  (crédito: Alan Santos/PR)
Temer agradeceu em nome dos pais libaneses - (crédito: Alan Santos/PR)

O presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Michel Temer (MDB) trocaram afagos, na manhã desta quarta-feira (12/8), na Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos, onde o chefe do Executivo acompanhou a partida da delegação brasileira em missão ao Líbano.

Em discurso, o chefe do Executivo agradeceu a Temer e se disse honrado por ele ter aceito o convite. “Senhor presidente Michel Temer, estou muito honrado em ter aceitado o nosso convite para representar o nosso país nessa missão humanitária. Paulo Skaf, quis o destino que o senhor estivesse comigo quando tomamos esta decisão. Quando o almirante Rocha se dirigiu para telefonar ao Temer, eu já tinha certeza, pelo seu passado que eu muito bem acompanhei enquanto parlamentar que ele aceitaria de pronto essa missão”, afirmou.

O presidente Bolsonaro ainda agradeceu ao presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf dizendo que “não tinha ninguém melhor do que ele para assessorar nosso querido Michel Temer”.

Já o ex-presidente Temer, que discursou pouco antes, também teceu agradecimentos e elogios a Bolsonaro. Ele se disse ‘agradavelmente surpreendido’ e emocionado pelo convite. “No sábado a tarde quando o secretário de assuntos estratégicos, o almirante Flávio Rocha me telefonou transmitindo uma consulta que o senhor fazia sobre a possibilidade de eu chefiar uma missão humanitária ao Líbano, tão logo disse a ele que estava agradavelmente surpreendido, mas extremamente emocionado com o convite que desde lá naturalmente aceitei”.

Temer agradeceu em nome dos pais libaneses. “Os meus pais, presidente Bolsonaro, já faleceram há muito tempo, mas certa e seguramente, falo no plano espiritual, ele está acompanhando esta solenidade e está aplaudindo o que vossa excelência e o governo brasileiro estão fazendo pelo Líbano, não se trata apenas de uma relação meramente institucional que vossa excelência produz, mas o que pude perceber, uma relação quase pessoal, em que vossa excelência homenageia a comunidade libanesa no Brasil e se preocupa humanitariamente com os destinos relativos a essa tragédia ocorrida em Beirute”.

O ex-presidente se disse grato pela receptividade do povo brasileiro aos estrangeiros. “Quero fazer esse agradecimento e revelar a grande receptividade que o Brasil tem em relação aos estrangeiros. Permita que eu dê o meu exemplo. Sou primeiríssima geração libanesa no Brasil meu pais casaram no Líbano tiveram os 3 primeiros filhos lá e aqui mais 5. Eu sou o último deles e veja vossa excelência, a carreira que eu pude fazer no nosso país, o que revela a grandeza do Brasil e do seu povo”, contou.

Temer caracterizou o envio da ajuda como um “ato extremamente civilizado” por parte de Bolsonaro e lembrou que não é incomum o envio de ex-presidentes a missões. Segundo ele, o mandatário brasileiro deu “um exemplo para o Brasil” e demais nações.

“É um ato extremamente civilizado que vossa excelência prática. Saiba que nos EUA não é incomum que os presidente designem ex-presidentes para missão humanitária e até diplomáticas. Vossa excelência com esse gesto também dá um exemplo para o Brasil, acho que a primeira vez que isso acontece, não só para o Brasil, mas todas as nações do mundo”, concluiu. O convite a Temer marca uma fase mais diplomática de Bolsonaro, que também ganha podendo ter sua imagem internacional melhorada. Além disso, Bolsonaro tem procurado estreitar conversas com ala do MDB.

Ajuda humanitária

A missão ao país árabe segue em duas aeronaves. A KC 390 leva 6 toneladas de alimentos e insumos médicos como respiradores mecânicos e máscaras de proteção facial. A outra, segue com a comitiva. Ambas devem voar por cerca de 30 horas até chegar a Beirute na tarde de amanhã (13).

A composição da delegação que segue rumo ao Líbano foi divulgada no último dia 11 no Diário Oficial da União (DOU). Nesta quarta-feira (12/8), a publicação adicionou mais cinco nomes que farão parte da missão, que agora é composta por 18 integrantes, além de Temer.

Entre eles os senadores Nelson Trad Filho e Luiz Pastore; o secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Flávio Viana Rocha, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf; o secretário de Negociações Bilaterais no Oriente Médio, Europa e África, Kenneth Félix Haczynski da Nóbrega , o representante do Exército Brasileiro, Carlos Augusto Fecury Sydrião Ferreira; o 3º secretário da Divisão de Comunicação Institucional do Itamaraty; o médico cirurgião ortopedista do Institucional Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Ministério da Saúde, Vitor Miranda; o assessor técnico do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres, do Ministério do Ministério do Desenvolvimento Regional, Leno Rodrigues Queiroz; a coordenadora da mesma equipe de gerenciamento de desastres, Ana Rodrigues Freire e a professora do Programa de Pós-Graduação em Agronomia da Universidade Federal do Paraná, Raquel Negrelle.

Autorização judicial

Temer é réu em dois processos relacionados à “Operação Descontaminação” da Lava-Jato e, por essa razão, precisa de autorização judicial para sair do país. A autorização foi concedida pelo juízo da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro nessa terça-feira (10/8), justificado pela "natureza humanitária da missão oficial". A previsão para a permanência da delegação é até o sábado (15/8), podendo ser prorrogado.

O presidente enviará ainda por via marítima 4 mil toneladas de arroz para atenuar as consequências das perdas de estoque de cereais destruídos na explosão.

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