Presidente

"Não queiram a minha cadeira. Não é para qualquer um", diz Bolsonaro

Presidente deu a declaração durante homenagem póstuma ao músico paraibano Pinto do Acordeon, que compôs seu jingle de campanha

Ingrid Soares
postado em 01/09/2020 17:00 / atualizado em 01/09/2020 18:24
 (foto: ED ALVES/CB/D.A.Press)
(foto: ED ALVES/CB/D.A.Press)

O presidente Jair Bolsonaro se emocionou na tarde desta terça-feira (01/09) durante homenagem ao músico paraibano Pinto do Acordeon, que compôs o jingle de campanha do chefe do Executivo.

No momento em que foi tocada a canção de quando era candidato, Bolsonaro chorou e em seguida fez um discurso, ainda emocionado. O presidente falou sobre a trajetória à presidência e afirmou que o cargo “não é para qualquer um”: “Não queiram a minha cadeira”, emendou falando sobre as dificuldades.

“Aconteceu, vencemos as eleições. No meu entender não existe outra explicação: é a mão de Deus. E só Deus sabe o que eu já passei e passo dentro dessa sala aqui. Não queira a minha cadeira. Com todo respeito, não sou o super-homem, mas não é para qualquer um. Tem que estar muito bem preparado psicologicamente, ter couro duro e ver como alguns zombam da nossa nação. Se tivesse uma filmadora, um microfone ali dentro dariam várias horas de um capítulo que eu acho que mudaria o destino da nossa nação. Mas a gente vai fazendo a nossa parte”, relatou.

Bolsonaro disse ter decidido concorrer após nova vitória do PT nas eleições. “Eu nunca sonhei com esse momento, fiquei 28 anos dentro da Câmara vendo como funcionava a engrenagem do Brasil. Um parlamentar do baixo clero que sonhava em mudar o destino dessa grande nação. Quis o destino que tocasse meu coração após as eleições presidenciais de 2014 e vendo quem foi reeleito. Não via esperança para nossa pátria pelo tipo de gente que nos governava”, completou.

O mandatário disse ainda ter passado por momentos nos quais pensou em desistir da candidatura. “Tracei um plano no final de 2014 comecei a andar pelo Brasil. Às vezes até eu mesmo achava que estava maluco mas tive duas coisas que serviram de âncora. Primeiro como Dilson [presidente da Embratur] disse aqui, li a bíblia, levei alguns anos para lê-la, estava na fronteira, na ativa ainda e aquela passagem bíblica João 8:32 sobre a verdade estava no meu subconsciente”.

Ele completou: “Eu falei, a gente tem que ser diferente. Não pode ser mais um. Quantos zombaram. Eu mesmo me olhava no espelho de vez em quando e falava: “o que eu to fazendo nessa empreitada? Eu não tenho nada, pô. Não tenho nada e no meio do oceano com um toco de bananeira e o mar cheio de tubarão”. Mas resolvi ir pra frente”.

Em meio ao discurso, Bolsonaro se referiu a governadores como “oportunistas” que pegaram carona em sua popularidade à época.

“Foi acontecendo quase que por acaso até que um cabra da peste, um cearense, teve a ideia de convocar o povo para o aeroporto, e aquela onda pegou. Pessoas foram aparecendo aos poucos e aos poucos, não estava ficando sozinho. Apareceram alguns oportunista, é do ser humano. E temos que saber como tratá-los para que não contamine um grande sonho. Até porque o oportunista aparece na reta final, depois que o time está ganhando de três a zero, aos 40 do segundo tempo que ele diz q é torcedor do seu time”.

Bolsonaro também relembrou o episódio da facada em Juiz de Fora, em 2018 e, se referindo ao ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, declarou que deveria ter “escolhido melhor”.

“Aconteceu uma passagem esquisita né e eu acho que essa investigação poderia ter chegado ao fim se eu tivesse escolhido melhor um ministro meu que, lamentavelmente, não se comportou como aquilo que toda a população sabia ou esperava dele se comportar. Aconteceu o 6 de setembro. Eu vejo a filha do Mário [Frias], 9 anos, tem a idade da minha filha, eu sempre pedi a Deus enquanto estava no hospital para não deixá-la órfã. Era a coisa mais importante da minha vida no hospital”, contou, falando da filha Laura.

Por fim, Bolsonaro disse que quer deixar um legado que valha a pena. “Tenho plena consciência da responsabilidade e daquilo que eu tenho que sacrificar, porque eu quero, assim como o Pinto do Acordeon, assim como Percy Geraldo Bolsonaro [pai], para sua família, ser lembrado e ter deixado uma história onde se possa ver que valeu a pena”.

Para concluir, Bolsonaro abraçou longamente a viúva do músico Pinto de Acordeon, acenou para os convidados e saiu repentinamente da sala, deixando a esposa, a primeira-dama Michelle a cargo de concluir a homenagem.

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