RECONCILIAÇÃO

Maia pede desculpas a Guedes e fala em retomar união por reformas

Presidente da Câmara e ministro da Economia se reuniram para jantar na casa do ministro do TCU, Bruno Dantas. Na saída, eles se desculparam publicamente pelas alfinetadas

Alessandra Azevedo Rosana Hessel
postado em 05/10/2020 23:19 / atualizado em 05/10/2020 23:23
 (crédito: Evaristo Sá/CB/D.A Press - 3/4/19)
(crédito: Evaristo Sá/CB/D.A Press - 3/4/19)

Depois das trocas de farpas recentes, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), levantaram a bandeira branca em um jantar organizado na casa do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas, nesta segunda-feira (5/10). Na saída, eles se desculparam publicamente pelas alfinetadas e sinalizaram uma fase de união entre o Legislativo e o Executivo.

O presidente da Câmara lembrou que o ministro foi o único do governo a apoiá-lo durante a reeleição dele e, por conta disso, tinha “gratidão” para com o chefe da equipe econômica. “Tem uma coisa na vida que não prescreve é gratidão”, afirmou. "Por divergências e erros fomos nos afastando e, na pandemia, mais ainda (...). Deixo aqui meu pedido de desculpas. Fui indelicado e grosseiro e não é do meu feitio", continuou o deputado.

Paulo Guedes, por sua vez, disse que não ofendeu Maia, mas, em seguida, também pediu desculpas, “se chegou a ofender alguém”. Ele lembrou que o democrata ajudou muito o governo nas reformas no ano passado. “Trabalhamos muito bem juntos na pandemia. Lançamos juntos vários programas em uma economia que está retomando em V”, reforçou.

Também presente no jantar, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (DEM-AP), destacou a importância da reconciliação para avançar em uma agenda positiva para o país. Ele referendou Rodrigo Maia e Paulo Guedes e exaltou as condições de homens públicos e o gesto político e democrático na construção dos entendimentos. "Esse gesto, hoje, de reaproximação foi fundamental para que a gente possa, a partir de amanhã, virar uma página", disse.

Renda Cidadã

Maia defendeu a busca de soluções para a criação de um programa de transferência de renda. “É uma situação muito dramática. E tínhamos que estar unidos dentro do teto de gastos para encontrar soluções. Esse programa precisa ser criado”, frisou. De acordo com o parlamentar, o diálogo entre ele e o governo sobre a agenda de reformas e sobre a manutenção do teto de gastos “não pode parar”.

"A partir de amanhã precisamos retomar nosso trabalho unidos. Não apenas os que estão aqui, mas todos os líderes da Câmara e do Senado que compreendem a importância da modernização do Estado e da construção de um programa social dentro do teto de gastos, para poder dar suporte a milhões de famílias que vão precisar do Estado brasileiro a partir de 1º de janeiro de 2021", defendeu Maia.

O ministro não falou em nenhum momento o nome do Renda Cidadã, programa que deverá substituir o Bolsa Família no ano que vem. Ele insistiu em falar em Renda Brasil, o antigo nome que foi proibido por Bolsonaro após criticar a proposta da equipe econômica para o congelamento de aposentadorias e do salário mínimo como forma de criar fontes de financiamento do novo benefício.

Guedes voltou a dizer que a parte técnica está pronta para o programa que vai atender os “40 milhões de invisíveis” descobertos durante a pandemia e ajudar na “aterrissagem” com o fim do auxílio emergencial a partir de janeiro de 2021. Contudo, segundo ele, tudo vai depender do “timing da política”. que “temos uma belíssima pauta além do que tínhamos combinado”.

Comissão

Mais cedo, Guedes esteve reunido por uma hora e meia com o senador Marcio Bittar (MDB-AC), que está preparando a proposta do Renda Cidadã e pretende incluí-la no relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial, que trata dos gatilhos do teto de gastos, como congelamento de salários e redução de jornada e remuneração de até 25% no caso de descumprimento da regra.

Pelos cálculos do economista Felipe Salto, diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI), apresentados para parlamentares em audiência pública da Comissão de Acompanhamento da covid-19 no Congresso, se os gatilhos forem aplicados, poderia haver uma economia de R$ 10,9 bilhões. Além disso, a redução da jornada em 25% para 20% dos servidores pode ter uma redução de despesa da ordem de R$ 8,6 bilhões.

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