Eleições dos EUA

Mourão já reconhece vitória de Biden. Bolsonaro, não

Vice-presidente afirmou que não fala em nome do governo, mas que "está cada vez mais irreversível a vitória sobre Donald Trump". Do Poder Executivo, foi o único até agora a dar sinais de aceitar que o democrata vai para a Casa Branca

Wesley Oliveira
postado em 13/11/2020 11:18
Em permanente rota de colisão com o presidente, Mourão, desta vez, disse que não falava pelo governo ao reconhecer o vencedor da eleição dos EUA -  (crédito: Sergio Lima/AFP - 3/2/20)
Em permanente rota de colisão com o presidente, Mourão, desta vez, disse que não falava pelo governo ao reconhecer o vencedor da eleição dos EUA - (crédito: Sergio Lima/AFP - 3/2/20)

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou, nesta sexta-feira (13/11), que avalia que a vitória de Joe Biden nos Estados Unidos "está cada vez mais sendo irreversível" – o democrata vai confirmando a vitória no Arizona. O general ressaltou, no entanto, que essa é sua posição individual e que não fala pelo governo.

"Como indivíduo, eu reconheço, mas temos que olhar que eu não respondo pelo governo. Como indivíduo, eu julgo que a vitória do Joe Biden está cada vez mais sendo irreversível", disse o vice-presidente em entrevista à Radio Gaucha.

Até o momento, Mourão foi o único integrante do governo a se manifestar publicamente sobre o resultado das eleições americanas. Aliado do candidato derrotado Donald Trump, o presidente Jair Bolsonaro ainda não admitiu a vitória do democrata. 

Na mesma entrevista, Mourão afirmou que o reconhecimento cabe ao presidente, mas ressaltou que a relação com os Estados Unidos continuará igual, independentemente do resultado. "Este assunto está afeto ao presidente da República, é uma responsabilidade dele, como chefe de Estado. Independentemente do momento em que for reconhecida a eleição americana, nós vamos manter esse diálogo constante, buscando sempre o benefício mútuo para os dois povos", completou Mourão.

Pólvora e fuzileiros

Nesta semana, Bolsonaro fez um discurso inflamado onde mencionou Biden indiretamente. Durante evento no Palácio do Planalto, o presidente disse que a diplomacia não é suficiente para "fazer frente a tudo isso" e que é necessário ter "pólvora", ainda que não seja usada, quando o diálogo acaba. E disse que "um grande candidato a chefe de Estado" imporia barreiras comerciais contra o Brasil se o governo federal não apagasse "o fogo na Amazônia".

"Assistimos, há pouco, um grande candidato a chefe de Estado dizer que, se eu não apagar o fogo na Amazônia, levanta barreiras comerciais contra o Brasil. Como é que nós podemos fazer frente a tudo isso? Apenas na diplomacia não dá. Porque, quando acaba a saliva, tem que ter pólvora, senão não funciona. Precisa nem usar pólvora, mas tem que saber que tem. Esse é o mundo", disse Bolsonaro. A fala foi mal recebida entre os militares, que viram fanfarronice nela.

No dia seguinte, o embaixador norte-americano no Brasil, Todd Chapman, postou um vídeo nas redes sociais homenageando os fuzileiros navais do seu país – e justificou como sendo por conta do Dia do Veterano, nos EUA, celebrado na última quarta-feira (11/11).

Advertência

A fala do presidente foi interpretada como um ataque ao plano de governo Biden na área ambiental. Durante a disputa presidencial americana, o então candidato citou o Brasil ao mencionar o papel de liderança que os EUA têm e que deveriam assumir no tema.

"A Floresta Amazônica, no Brasil, está sendo destruída, arrancada. Mais gás carbônico é absorvido ali do que todo carbono emitido pelos EUA. Eu tentarei ter a certeza de fazer com que os países ao redor do mundo levantem US$ 20 bilhões e digam (ao Brasil): 'Aqui estão US$ 20 bilhões. Pare de devastar a floresta. Se você não parar, vai enfrentar consequências econômicas significativas'", disse Biden, durante um debate.

Na época, Bolsonaro disse que o Brasil não aceitaria "subornos" e classificou a declaração como "lamentável".

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