RIO DE JANEIRO

Crivella tenta obstruir acesso a provas de forma "maliciosa", diz MP

Promotores pediram quebra do sigilo telefônico do prefeito afastado e veem indícios de que ele recebeu informações privilegiadas da segunda fase da Operação Hades, em 10 de setembro

Wesley Oliveira
postado em 31/12/2020 18:00
 (crédito: Yasuyoshi Chiba/AFP
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(crédito: Yasuyoshi Chiba/AFP )

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu a quebra do sigilo de três telefones celulares, de um tablet e de um computador apreendidos no apartamento do prefeito afastado Marcelo Crivella. Na justificativa, os promotores argumentam que Crivella "tem atuado de forma a obstruir, sorrateiramente, o acesso a provas, inclusive por meio de expedientes maliciosos".

Ainda segundo o MPRJ, há "indícios suficientes indicando que o então prefeito se valeu de informações privilegiadas, obtidas de forma criminosa", da segunda fase da Operação Hades, em 10 de setembro, quando Crivella foi alvo de busca e apreensão. A primeira etapa foi deflagrada em março.

Os promotores afirmam que, naquela manhã de setembro, um porteiro revelou que Crivella havia acabado de chegar em casa, "tendo passado a noite em endereço ainda não revelado". Ao pedido, o MPRJ anexou imagens das câmeras da portaria do condomínio do prefeito carioca, "comprovando que ele havia regressado à sua casa poucos minutos antes da chegada das equipes policiais".

"Para surpresa de todos, em cerca de apenas 5 ou 10 minutos, dois advogados chegaram, o que indica que ambos já estavam 'a postos' nas imediações da casa de seu cliente e prontos para atendê-lo, circunstância deveras inusitada, dado o horário em que foram acionados", argumenta o Ministério Público.

Telefone trocado

Ainda no pedido, o MPRJ descreve que, em 10 de setembro, os investigadores solicitaram que Crivella entregasse seu telefone celular. O prefeito, então, "ofertou um iPhone 7 que estava desligado e repousava sobre a sua mesa de cabeceira", mas se negou a fornecer a senha de desbloqueio do aparelho.

A análise do conteúdo, segundo o MPRJ, "evidencia que tal celular não era o seu aparelho de uso pessoal". "Crivella entregou, deliberadamente, um aparelho usado por terceiros como se fosse o seu próprio, com o inequívoco intuito de perturbar e obstruir o bom andamento da investigação", disse.

A análise dos dados mostra que tratava-se de um telefone funcional usado por algum assessor, já que as ligações feitas por ele aconteceram predominantemente na região da Cidade Nova, onde fica a sede da Prefeitura do Rio.

De acordo com os promotores, existem evidências de que um dos telefones celulares, que estava em posse da primeira-dama, Sylvia Jane, teria sido dado ao prefeito afastado por Rafael Alves, outro dos investigados.

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