Eleição no Senado

PT decide apoiar Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para a presidência do Senado

Senador mineiro tem o apoio do atual ocupante do cargo, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do presidente Jair Bolsonaro

Jorge Vasconcellos
postado em 11/01/2021 18:34
 (crédito: TV Brasília/Reprodução)
(crédito: TV Brasília/Reprodução)

O PT decidiu, nesta segunda-feira (11/01), apoiar a candidatura do senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) à presidência do Senado. Pacheco é apoiado pelo atual ocupante do cargo, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que recebeu do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) o aval para fazer seu sucessor.

A bancada do PT no Senado, a maior da oposição na Casa, com seis senadores, afirmou, por meio de nota, que a decisão foi baseada no compromisso do candidato com a independência do Legislativo e com uma agenda de recuperação econômica do país.

O partido disse, no comunicado, "que perpassa esforço corrente para rejeitar iniciativas voltadas para o desmonte do Estado Democrático de Direito, incluindo propostas visando minar direitos civis, políticos, sociais e econômicos, muitas delas carentes de transparência e estofo técnico e científico".

A sigla informou ainda que apresentou a Rodrigo Pacheco um compromisso com 8 tópicos, incluindo a proteção do meio ambiente, a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), o respeito aos direitos humanos, e o combate ao racismo e à homofobia.

A legenda também deixou claro que a aliança com o DEM se dá exclusivamente no contexto da sucessão no Senado, não se estendendo a outros entendimentos. "O PT tem bastante claro que a aliança com partidos dos quais divergimos politicamente, ideologicamente e ao longo do processo histórico se dá exclusivamente em torno da eleição da Mesa Diretora do Senado Federal, não se estendendo a qualquer outro tipo de entendimento, muito menos às eleições presidenciais (de 2022)", diz a nota.


A eleição para a presidência do Senado está marcada para 1º de fevereiro. Com o anúncio do apoio do PT, Pacheco conta com a adesão total de 28 senadores - 6 do PT, 11 do PSD, 5 do DEM, 3 do Pros e 3 do Republicanos. Para vencer a eleição são necessários 41 votos - de um total de 81 senadores.


O MDB, dono da maior bancada do Senado, com 13 parlamentares na Casa, também está na disputa pela sucessão de Davi Alcolumbre, mas ainda não fechou questão em torno do nome do candidato. Concorrem à indicação emedebista os senadores Eduardo Gomes (TO), líder do governo no Congresso; Fernando Bezerra Coelho (PE), líder do governo no Senado; Simone Tebet (MS), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ); e Eduardo Braga (AM), líder do partido no Senado.


Além do MDB e do DEM, há também um grupo formado por PSDB e Podemos, que está negociando a adesão do Cidadania e do PSL. A aliança entre essas quatro siglas garantiria pelo menos 21 votos para a eleição.


Acordo
No início de dezembro, Davi Alcolumbre e Jair Bolsonaro acordaram que o senador apresentaria um nome viável para sucedê-lo na presidência do Senado. O chefe do governo bateu o martelo em apoio ao nome de Pacheco na última sexta-feira (08/01), durante reunião com o senador Fernando Bezerra (MDB-PE).


O PT, no comunicado divulgado nesta segunda-feira (11/01), afirmou que, mesmo apoiando o nome de Pacheco, manterá o esforço pelo impeachment de Bolsonaro.


"O PT continuará lutando, dentro e fora do parlamento, pela soberania nacional, contra as privatizações de empresas estratégicas ao desenvolvimento, contra a agenda neoliberal que compromete o presente e o futuro do país, em defesa dos direitos dos trabalhadores, pelo impeachment de Jair Bolsonaro e pelo resgate dos direitos políticos e cidadãos do ex-presidente Lula", diz a nota do partido.


"Traições"
Apesar dos acordos negociados, não há qualquer garantia de que os senadores irão cumpri-los no dia da eleição. Como nos pleitos anteriores, o voto será secreto, o que abre espaço para possíveis "traições" nos grupos em disputa.



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