COVID-19

CoronaVac: produção do Butantan está parada aguardando matéria-prima da China

Instituto paulista aguarda autorização da China para importar o produto e admite preocupação. Diretor Dimas Covas alerta que Brasil precisa da China para importação de matéria-prima das duas vacinas aprovadas pela Anvisa

Sarah Teófilo
Maria Eduarda Cardim
postado em 18/01/2021 15:33
 (crédito: Nelson Almeida/AFP)
(crédito: Nelson Almeida/AFP)

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, informou nesta segunda-feira (18/1) que a capacidade de produção da vacina CoronaVac no Brasil foi atingida no momento, com a utilização da matéria-prima que estava disponível, e que agora aguarda-se a autorização da China para importação do produto. O imunizante, da farmacêutica chinesa Sinovac, é produzido em parceria com o instituto no Brasil.

A capacidade de produção do Butantan é de um milhão de doses por dia, segundo Covas, e mil litros de vacina concentrada vindas da China são capazes de produzir esta quantidade de doses. O contrato com a Sinovac é para 46 milhões de doses, sendo que até o momento o Brasil obteve 6 milhões — 1,4 milhão ficou em São Paulo e outros 4,6 milhões estão sendo distribuídos nesta segunda aos outros estados e ao Distrito Federal.

Segundo Covas, há dificuldades da autorização do governo chinês para a exportação do insumo. “Essa matéria-prima já está produzida, já está disponível na Sinovac desde meados deste mês, e aguardamos agora essa autorização, que na minha percepção, após autorização da Anvisa, facilitará essa decisão do governo”, disse.

O diretor admitiu que a situação o preocupa e, questionado sobre prazo, disse apenas que os insumos chegam ao Brasil “assim que possível”. “Preocupa, sim, a chegada da matéria-prima. Essa matéria-prima precisa chegar para não parar o processo de produção, e esperamos que isso aconteça muito rapidamente, porque se chegar antes do fim do mês, nós manteremos o cronograma de entrega de vacinas”, afirmou.

Nesse domingo (17), a Anvisa autorizou o uso emergencial de seis milhões de doses da CoronaVac, que foram importadas prontas da China pelo Butantan. A agência também aprovou o uso da vacina de Oxford/Astrazeneca, que no Brasil será produzida em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Para ambas as vacinas, como frisou Covas, o Brasil precisa da China para importação de matéria-prima. “As duas matérias-primas virão da China e, portanto, precisam de autorização do governo chinês. Acho que nesse momento isso iguala, pois as duas vacinas é que serão o suporte do Programa Nacional de Imunização (PNI)”, afirmou.

O diretor pontuou que, “sem dúvida, o governo tem que se preocupar com” a relação a China. O governador de São Paulo, João Doria, aproveitou para alfinetar o presidente Jair Bolsonaro. “Se o presidente Jair Bolsonaro e seus filhos pararem de falar mal da China, isso já ajuda bastante, pois os insumos da vacina do Butantan e da AstraZeneca são produzidos na China e são as duas únicas vacinas aprovadas pela Anvisa. Pelo menos se não atrapalhar já é uma ajuda”, disse.

4,8 milhões de doses

O Butantan enviou nesta segunda (18) um novo pedido à Anvisa para o uso emergencial de 4,8 milhões de doses que foram produzidas pelo instituto. Covas explicou que esse novo pedido de uso emergencial, se aprovado, valerá para o restante das vacinas que serão produzidas pelo Butantan. O instituto paulista assinou um acordo de transferência de tecnologia para produzir a CoronaVac no Brasil em setembro do ano passado, o que permite que ela seja produzida no Brasil.

“Entramos com o pedido de uso emergencial agora para todas as doses que serão produzidas pelo Butantan. A primeira parte de 4,8 milhões já estará em disponibilidade à medida que for feita essa segunda autorização. Uma vez aprovada, a produção do Butantan será feita de acordo com essa autorização e não haverá necessidade de todo lote ser requisitado”, explicou o diretor.

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