Leite condensado

Deputado recolhe assinaturas para criar CPI do Leite Condensado

Colegiado investigará a compra de produtos alimentícios, em que os itens que mais se destacaram foram os gastos com leite condensado, batata frita e chiclete

Luiz Calcagno
postado em 27/01/2021 22:57

Depois das suspeitas levantadas pelas compras alimentícias de valores elevados por parte do governo Bolsonaro, em que mais se destacou a compra de leite condensado, no valor de R$ 15,6 milhões, o deputado Helder Salomão (PT-ES) está colhendo assinaturas para uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Se sair, a chamada CPI do Leite Condensado vai investigar, dentre outras coisas, o suposto pagamento de R$ 162 por caixa de 395g feito pelo governo.

No caso do produto, a polêmica gira em torno da descrição da compra, que deixa margem para duas interpretações diferentes. A compra da caixinha unitária por valor exorbitante, ou a compra da caixa com vários produtos. O deputado argumentou que a compra alimentícia do governo ostenta números “absurdos”. “É preciso instaurar, com urgência, uma CPI para investigar esses gastos”, afirmou.

Ao todo, o governo gastou mais de R$ 1,8 bilhão em produtos alimentícios para o Poder Executivo. Os produtos atenderiam ministérios, universidades e até as Forças Armadas. Além do icônico leite condensado, que gerou diversos memes, o Executivo também gastou R$ 16,5 milhões com batata frita, R$ 21,4 milhões em iogurte natural, R$ 13,4 milhões com barras de cereais e R$ 2 milhões em chicletes no ano de 2020.

A despeito das informações dúbias e dos argumentos prós e contra a compra que tomaram conta das redes sociais nesta quarta-feira (27/1), um levantamento da Associação Contas Abertas aponta que o Poder Executivo, de fato, aumentou os gastos com o famigerado leite condensado. Em 2020, a despesa com o produto foi 72,9% superior à do ano anterior. O governo Bolsonaro gastou R$ 18,5 milhões contra os R$ 10,7 milhões contabilizados em 2019.

Para o petista, são despesas altas, com itens supérfluos, em um ano de pandemia, com distanciamento social e muitos gastos para conter o avanço do coronavírus. “O Brasil está atravessando uma de suas maiores crises. Desemprego altíssimo, cortes de verba para áreas essenciais como saúde e educação, pequenos empreendedores quebrando por falta de suporte do governo, o país de volta ao mapa da fome e o Ministério da Economia apresenta gastos absurdos com compra de chicletes?”, questionou.

Para o parlamentar, os gastos exorbitantes e a questão dos custos unitários dos produtos apontam que o Executivo teria pago, por quantidade, valores acima da média cobrada no mercado, “o que por si só, já enseja a necessidade de rigorosa investigação para apurar se houve ou não superfaturamento”. “Devemos utilizar este instrumento legislativo para fazer valer o dever constitucional desta Casa de fiscalização e apurar se houve ou não irregularidade nestes gastos”, disparou.

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