CPI da Covid

Covas: proposta do Butantan previa 60 milhões de doses até dezembro de 2020

Vacinas começariam a ser entregues em dezembro de 2020, segundo diretor do Butantan, Dimas Covas, com previsão de 100 milhões de doses até maio deste ano

Sarah Teófilo
postado em 27/05/2021 12:05 / atualizado em 27/05/2021 13:02
 (crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
(crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19, no Senado, afirmou que o instituto ofereceu ao governo federal 60 milhões de doses de vacina contra covid-19 a serem entregues a partir de dezembro do ano passado. De acordo com ele, o Butantan fez três ofertas no ano passado, sendo a primeira delas no dia 30 de julho, mas o contrato só foi assinado em janeiro deste ano, em meio a pressões políticas.

Segundo Covas, havia em solo brasileiro, em dezembro, 5,5 milhões de doses prontas e 4 milhões em produção. “As idas e vindas vieram dificultando o cronograma. Poderia chegar a 100 milhões em maio. Como não teve definições, o cronograma foi para setembro, porque nesse momento a demanda mundial de vacina era grande e continua até hoje. A dificuldade para trazer vacina é imensa. Agora não é recurso, é disponibilidade de vacina”, afirmou.

Em 18 de agosto de 2020, o Butantan apresentou a segunda oferta, também de 60 milhões de doses. Em 7 de outubro, houve uma oferta de 100 milhões de doses, que seriam todas entregues até maio deste ano. Em agosto, conforme o diretor, houve uma resposta do MS, mas não foi positiva.

Em outubro, Covas pontuou que houve assinatura de intenção de compra de 46 milhões. O presidente Jair Bolsonaro, entretanto, desautorizou o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello publicamente, dizendo que não compraria “a vacina chinesa de João Doria”, governador de São Paulo. O vídeo do presidente falando que não compraria a vacina foi mostrado pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL) durante a sessão. Calheiros também mostrou um vídeo do ex-secretário-executivo do ministério Élcio Franco, que afirmou que a vacina não seria adquirida.

De acordo com ele, as falas do presidente mudaram a perspectiva do próprio Ministério da Saúde, com a suspensão de negociações, que foi interrompida em outubro e só foi retomada e concretizada em janeiro.

Covas pontuou que o governo firmou contrato antes para aquisição e produção da vacina da Astrazeneca, e que não houve uma parceria com o Butantan. “Apesar de estar em solo brasileiro, só foi contratado em janeiro, seis meses após a oferta”, disse.

O contrato para compra de 46 milhões de doses só foi assinado em janeiro. Outro contrato foi assinado para 54 milhões em fevereiro. Na oferta de 7 de outubro, o cronograma seria de entrega de 45 milhões até dezembro de 2020, 15 milhões até fevereiro de 2021 e 40 milhões até maio de 2021. Todas as comunicações foram feitas a Pazuello, segundo Covas. 

"Boa pergunta"

Questionado pelo relator sobre o motivo pelo qual as propostas não foram aceitas, o diretor do Butantan afirmou que essa “é uma boa pergunta”, afirmando que o instituto se esforçou para dar o máximo de informações técnicas.

“Havia, naquele momento, incertezas em relação às vacinas de uma forma geral. Mas essa (CoronaVac) tinha todos os elementos que apontava a oportunidade que tínhamos naquele momento, de levar essa vacina a ser usada muito rapidamente. Acho que aí, sim, houve um descompasso de entendimento da importância da vacina naquele momento dentro do contexto da pandemia. Nós tínhamos certeza da importância da vacina”, afirmou Covas.

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