CPI

Aziz manda recado ao STF: "Espero que não haja interferência"

Presidente da CPI da Covid diz esperar que o Supremo não atenda ao pedido para proibir a convocação de governadores, o que, na avaliação dele, seria uma interferência indevida do Judiciário. Ele descarta oitiva de Bolsonaro e prorrogação da comissão

Gabriela Chabalgoity*
postado em 08/06/2021 06:00
Senador Omar Aziz no CB.Poder: ele disse que comissão vai mirar, também, em fake news sobre tratamento precoce e imunidade de rebanho -  (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
Senador Omar Aziz no CB.Poder: ele disse que comissão vai mirar, também, em fake news sobre tratamento precoce e imunidade de rebanho - (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

O presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM), disse esperar que o Supremo Tribunal Federal (STF) não proíba o depoimento de governadores no colegiado. No mês passado, 18 gestores estaduais protocolaram ação na Corte que questiona a convocação. Nove deles foram chamados pela comissão a prestar esclarecimentos sobre a aplicação das verbas recebidas da União para o combate à pandemia.

“Espero que não haja interferência de nenhum outro poder no trabalho que estamos realizando na CPI”, enfatizou Aziz, em entrevista às jornalistas Denise Rothenburg e Sarah Teófilo no programa CB.Poder, parceria entre o Correio e a TV Brasília. “Os governadores estão falando que a ida deles à CPI é inconstitucional e pedem ao Supremo que mudem (os pedidos) de convocação para convite”, acrescentou. Com a troca, o governador chamado deixa de ser testemunha, que tem a obrigação de dizer a verdade, para ser convidado, o que pode atrapalhar as investigações.

De acordo com o senador, a convocação de gestores é importante para a apuração. “Em relação ao governador do Amazonas (Wilson Lima, PSC), a convocação é explicada pela falta de oxigênio e o caos vivido no início do ano (no estado), mas o plano é convocar os governadores que foram alvo da operação da Polícia Federal para explicar o que acontece”, destacou.

Aziz frisou a necessidade de mais apuração sobre o gabinete paralelo, revelado pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, em depoimento à CPI, para tratar de questões relacionadas à Saúde, sem a participação do titular da pasta. “O que me parece é que só o (Eduardo) Pazuello e o (Marcelo) Queiroga aceitaram a condição da existência de um gabinete paralelo”, destacou. (…) “Veja bem, estamos falando de saúde. Você não pode ouvir um grupo e esse grupo ter toda a razão do mundo. Para conter uma doença desconhecida, era necessário ouvir diversos especialistas.”

Na avaliação do senador, o ponto principal é esclarecer quem orientou Bolsonaro a tomar decisões sobre a crise sanitária. “O presidente não acordou em um belo dia e decidiu que ia apresentar a cloroquina e ivermectina como salvação, ou ia propagar a ideia de imunidade de rebanho. O ex-ministro Pazuello não mentiu em apenas uma frase que ele disse: um manda, e o outro obedece”, declarou.

Apesar de dizer que já é possível constatar a interferência do presidente Jair Bolsonaro e do gabinete paralelo no Ministério da Saúde, Aziz se manifesta contrário à decisão de convocar o chefe do Planalto para depor. “Não vejo como levar um presidente para uma CPI, isso não existe. Você não tem como nem convidar o presidente”, argumentou. Ele declarou que a comissão comprovou duas coisas até agora: houve falha do governo federal na negociação de vacinas e na indicação de tratamento precoce. Mas, mesmo assim, defendeu que convocar o mandatário seria uma tentativa de “politizar” o colegiado.

Fake news

O parlamentar adiantou que os senadores vão focar na propagação de notícias falsas sobre tratamento precoce e imunização de rebanho. “Vamos ter acesso ao que a CPI das Fake News já têm de informação, somado a outras investigações, para a CPI da Covid. Queremos entender as induções falsas a tirar a vida de pessoas”, declarou. “Já sabemos por que o Brasil não quis comprar as vacinas, sabemos da divulgação do tratamento precoce e da imunidade de rebanho e investigamos o gabinete paralelo. Agora, precisamos analisar a propagação de mentiras”, destacou.

Aziz destacou que pretende finalizar os trabalhos da CPI no tempo preestabelecido, ou seja, 90 dias. “Espero que sejamos capazes de concluir isso nos três meses oferecidos a nós. Não penso em prorrogar e não vejo necessidade disso”, afirmou.

* Estagiária sob a supervisão de Cida Barbosa

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