CPI da Covid

Acusado de promover fake news, senador Heinze poderá sofrer sanção ética

Senador oposicionista Alessandro Vieira (Cidadania-SE) entrou com uma representação contra o parlamentar da base Luiz Heinze (PP-RS)

Bruna Lima
postado em 08/06/2021 16:00 / atualizado em 08/06/2021 17:26
 (crédito: Edilson Rodrigues)
(crédito: Edilson Rodrigues)

Alegando promoção de fake news durante a participação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) entrou, nesta terça-feira (8/6), com uma representação no Conselho de Ética do Senado contra o parlamentar da base do governo Luis Heinze (PP-RS).

Segundo Vieira, o que motivou a representação foram as "reiteradas tentativas de desinformação", a despeito dos "alertas feitos pela Mesa e por colegas de que documentos e dados que não correspondem à verdade estão sendo reiteradamente apresentados". Na avaliação do senador, Heinze "está prestando um desserviço repetidamente, trazendo informações falsas''.

Integrante da tropa de choque em defesa a Bolsonaro, Heinze tem ganhado destaque na CPI ao trazer todos os tipos de argumentos e dados a fim de promover o tratamento precoce com o uso de medicamentos sem eficácia comprovada para tratar a covid-19, como a hidroxicloroquina.

Pedido de retratação

Para sustentar as teses, o governista insiste na retratação da revista Lancet, a fim de refutar estudos que demonstram a ineficácia da cloroquina, e traz, para isso, a citação de cientistas que defendem a medicação, como o francês Didier Raoult. Por mais de uma ocasião, Heinze disse que o Amapá tem a menor letalidade do país, usando o argumento de que o estado adotou o tratamento precoce.

Representante do estado e oposicionista, o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), chegou a bater boca com o parlamentar da base, afirmando que ele estava "mentindo"e que trazia um "dado fraudado".

"Implicações nefastas"

Na representação, Vieira alega que Heinze vem “manipulando dados e fatos a fim de defender suas crenças ideológicas”, o que promove um “processo de desinformação” com “implicações nefastas diante da grande repercussão da CPI”. Para justificar o documento, o senador oposicionista cita “estudos desatualizados, incompletos e metodologicamente contraditórios fazendo crer que existe qualquer evidência científica favorável ao uso da cloroquina e de outros tratamentos precoces a respeito dos quais levianamente advoga a favor”.

Ele enumera alguns momentos, em diferentes reuniões, em que houve citações descontextualizada. Uma delas seria um estudo conduzido pelo pesquisador David Boulware, da Universidade do Minnesota, nos EUA, como se houvesse resultados positivos, em 18 de maio. “Cabe colacionar os estudos do pesquisador em que não foram demonstrados quaisquer efeitos do medicamento contra a doença”.

Exemplifica, ainda, a afirmação de Heinze de que existem estudos norte-americanos que testaram em 500 mil pessoas o uso da hidroxicloroquina e obtiveram resultados positivos. “Entretanto, cabe ressaltar que a FDA, agência que regulamenta uso de medicamentos nos EUA, revogou há mais de um ano tal protocolo”.

Ainda que haja a necessidade de ampla garantia do exercício do mandato, Vieira alega que as falas do colega da base “não foram realizadas para emissão de meras opiniões políticas, mas, sim, para fazer circular nocivas e reiteradas desinformações, colocando em risco a saúde da população brasileira”. Por isso, pede a aplicação de censura verbal ou escrita.

O anúncio de que seria alvo de uma representação junto ao Conselho de Ética foi anunciado durante a sessão, e Heinze se defendeu: "As minhas informações não são falsas. Pode entrar com representação sem problema nenhum".

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