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Ministra Ana Arraes afasta servidor do TCU responsável por "estudo paralelo"

Acesso do servidor aos sistemas e ao prédio do TCU será bloqueado. Polícia Federal deve abrir um inquérito para apurar as ações

Amanda Oliveira
postado em 09/06/2021 15:32 / atualizado em 09/06/2021 18:29
 (crédito: Facebook/ Reprodução)
(crédito: Facebook/ Reprodução)

A presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministra Ana Arraes, determinou, na tarde desta quarta-feira (9/6), o afastamento por 60 dias do auditor Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques. O nome do auditor apontado como autor de um relatório que distorce os números de mortes por covid-19 no país. A informação foi divulgada nesta terça-feira (8/6), pelo Blog do Vicente.

Com a decisão de Arraes, o servidor afastado da função de supervisor no Núcleo de Supervisão de Auditoria está impossibilitado de acessar os sistemas e o prédio do TCU. Além da infração disciplinar, a Polícia Federal deve abrir nos próximos dias um inquérito para apurar as ações.

O pedido para abertura de processo administrativo disciplinar contra Alexandre foi aberto, mais cedo, pelo corregedor do Tribunal, Bruno Dantas. Segundo ele, o relatório atinge a credibilidade do órgão.

“Ainda mais grave, e isso precisará ser melhor apurado, é a manipulação da atividade fiscalizatória do TCU em razão de sentimento pessoal ou orientação política ou ideológica”, comentou Dantas.

Ligações com o presidente
O documento foi utilizado, nesta segunda-feira (7/6) pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para questionar dados sobre a pandemia de covid-19 divulgados pelos estados.

“O relatório final, não é conclusivo, mas disse que em torno de 50% dos óbitos por covid no ano passado não foram por covid, segundo o Tribunal de Contas da União”, afirmou ele durante uma conversa com apoiadores na saída do Palácio do Planalto.

No mesmo dia, o Tribunal divulgou uma nota desmentindo as falas de Bolsonaro. "O documento refere-se a uma análise pessoal de um servidor do Tribunal compartilhada para discussão e não consta de quaisquer processos oficiais desta Casa, seja como informações de suporte, relatório de auditoria ou manifestação do Tribunal”, informa o comunicado.

De acordo com investigações preliminares, Alexandre possui ligação com os três filhos do presidente - senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ)-, tendo sido indicado para ocupar uma diretoria no Banco Nacional de Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Convocação na CPI da covid

A discussão sobre a possível subnotificação apontada pelo relatório irá entrar na pauta da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19. A convocação de Alexandre Figueredo, juntamente com deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) apontado como membro do chamado gabinete paralelo, foram aprovadas nesta quarta.

 

 

 

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