CPI da covid

"Nós vamos investigar, haja o que houver", diz Renan sobre Forças Armadas

Comentário do relator da CPI da Covid foi uma resposta à nota divulgada pelo ministro da Defesa e pelos comandantes militares, interpretada por senadores como uma tentativa de intimidar os parlamentares

Israel Medeiros
postado em 08/07/2021 17:13 / atualizado em 08/07/2021 17:14
 (crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
(crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

O relator da CPI da Covid no Senado Federal, Renan Calheiros (MDB-AL), disse que a Comissão irá continuar as investigações, independentemente de os alvos serem militares ou civis. A fala foi uma reação a uma nota divulgada ontem (7/7) pelo ministro da Defesa, Braga Neto, e pelos comandantes das Forças Armadas em que criticam declarações do presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM). O posicionamento foi visto como ameaça e como uma forma de intimidação.

“Esta Comissão Parlamentar de Inquérito, que é uma instituição da República, não pode ser ameaçada sob pretexto nenhum. Nós estamos investigando e retirando a máscara de um esquema que funcionava no Ministério da Saúde e que proporcionou o agravamento do número de mortes de brasileiros em função da covid”, disse Calheiros.

Ele afirmou que os parlamentares seguirão investigando os fatos, independentemente da condição dos investigados, sejam eles civis ou militares. “O que importa é que essa Comissão Parlamentar de Inquérito, isso foi dito aqui em todos os momentos, não vai investigar instituições. Então, que o senhor Braga Netto saiba que não há nenhuma confusão da participação de Pazuello com as Forças Armadas”, declarou o relator.

Calheiros também afirmou que as Forças Armadas devem ser respeitadas pelo importante papel na formação do país, mas que não devem tentar intimidar o Legislativo. “Não podem confundir o nosso papel nem achar que vão nos intimidar. Nós vamos investigar, haja o que houver”, declarou.

O senador estabeleceu uma diferença entre investigar membros e ex-membros das Forças Armadas e investigar as instituições em si — o que, segundo ele, não ocorrerá. “Nós não vamos, de forma nenhuma, paralisar a investigação. Nós saberemos a quem responsabilizar, e as famílias dos mortos também saberão”.

Entenda o caso

Na sessão da última quarta-feira, o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), fez comentários sobre a participação de membros das Forças Armadas em possíveis irregularidades apuradas pela CPI. Ele afirmou que aqueles que não estão envolvidos em problemas devem “estar envergonhados” diante das suspeitas envolvendo militares.

As Forças Armadas, então, emitiram uma nota de repúdio às declarações de Aziz. No documento, eles disseram que elas foram um “desrespeito” e que faziam generalizações a respeito de esquemas de corrupção.

A nota, assinada pelo ministro da Defesa, Walter Souza Braga Netto e os comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica definiam como levianas e como acusações “graves”, “infundadas” e “irresponsáveis” as intervenções de Omar Aziz.

O texto finaliza com a seguinte frase: “As Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro”, trecho que foi interpretado como ameaça por senadores.

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