VOTO IMPRESSO

Bolsonaro sobre voto impresso: "Qual é o poder de convencimento do senhor Barroso?"

"Há poucas semanas tivemos uma vaga no Conselho não permanente da ONU, de 190 países, 182 votaram no nosso candidato. Isso é estar mal com o mundo? Isso aí é lavada. Não foi voto eletrônico não, tá pessoal?", riu o presidente, após citar o presidente do TSE, o ministro Luís Roberto Barroso

Ingrid Soares
postado em 29/07/2021 12:45 / atualizado em 29/07/2021 16:16
 (crédito: Evaristo Sá/AFP - Carlos Moura/SCO/STF)
(crédito: Evaristo Sá/AFP - Carlos Moura/SCO/STF)

O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar, nesta quinta-feira (29/7), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso. O mandatário questionou o poder de persuasão do magistrado ao acusá-lo de articular contra a aprovação do projeto de voto impresso do governo federal.

"Nós queremos é voto democrático. Eleições democráticas. Por que um ministro do STF vai para dentro do Congresso, conversa com lideranças e, no dia seguinte, várias dessas lideranças trocam os integrantes da comissão? Qual é o poder de convencimento do senhor Barroso? O que brilha nos olhos dele? Acho que todos nós queremos ter esse poder de convencimento dele para dentro do Parlamento. Não foi junto de pessoas humildes, que se encantam só por você ser autoridade. Foi para dentro do Congresso Nacional. Eles não querem o voto democrático. Eles estão contra a democracia", disparou.

Bolsonaro voltou a convocar a população para assistir à live desta quinta-feira, alegando que mostrará provas de fraudes nas urnas nas eleições de 2014 e 2018.

"Hoje vamos demonstrar várias inconsistências. Às 19h, algumas coisas inacreditáveis. São aquelas coincidências... Tem uma demonstração que ela pode acontecer? Pode. Mas é a mesma coisa que você ganhar sete vezes consecutivas na Mega Sena. Nem com João Alves (deputado) você conseguiria tamanho feito".

O chefe do Executivo destacou que o mais importante da eleição é a contagem pública. "E a contagem pública não pode ser via apertar um botão do computador. Então, quando falam que eu sou ditador, estou fazendo exatamente o contrário".

O presidente também voltou a rebater o argumento de Barroso de que o voto impresso terá alto custo aos cofres públicos. Segundo ele, o valor não deverá chegar a R$ 2 bilhões, mas garantiu que, se chegar, "a gente paga". "Eu sempre ouvi dizer que a democracia não tem preço e o gasto não chega a R$ 2 bi, não. E se chegasse, já está acertado com a economia, a gente paga. Não tem preço. Vai ser bem menos do que isso daí", disse.

Por fim, Bolsonaro acrescentou ser a força de trabalho aquilo que leva um país para frente e ironizou a urna eletrônica, por meio da qual foi eleito. "É a liberdade do seu povo, é a sua capacidade de investir. Se fosse só rodar a Casa da Moeda no Rio, estaria tudo resolvido. O próprio Lula falou que se ele fosse presidente, rodaria, ele falou em vídeo, R$ 300 bilhões. Papel no mercado é inflação. Nós estamos bem com o mundo todo. Quando alguns falam que nossa política externa não vai bem, há poucas semanas tivemos uma vaga no Conselho não permanente da ONU, de 190 países, 182 votaram no nosso candidato. É estar mal com o mundo? Isso aí é lavada. Não foi voto eletrônico não, tá pessoal?", riu.

Em nota, a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), demonstrou preocupação com o acirramento das discussões sobre o modelo de votação do pleito eleitoral de 2022.

"É inaceitável que se tente desqualificar o processo democrático propagando ilações que geram desconfiança sobre o funcionamento das instituições e sobre a atuação de agentes públicos. O atual modelo do Sistema Eleitoral Brasileiro é seguro e eficiente, tendo amplo reconhecimento internacional. As urnas eletrônicas são utilizadas há mais de 25 anos sem qualquer prova concreta de fragilidade operacional que possa propiciar fraudes nos resultados. Discussões acerca do aperfeiçoamento da segurança do sistema são legítimas e fazem parte do processo democrático. No entanto, debates dessa natureza devem ser feitos em foro competente, ouvindo a sociedade e especialistas, com argumentos técnicos e propositivos, em um ambiente de respeito institucional, sem ofensas e acusações indevidas", apontou.

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