STF

Bolsonaro: "Nunca proferi uma só palavra fora das 4 linhas da Constituição"

Mandatário ainda reclamou de ter sido incluído na investigação de fake news do STF e teceu ataques ao petista Fernando Haddad. "Me acusaram de fake news, juntamente com Luciano Hang. Fake News eu faria com o Haddad se chamasse ele de honesto", disparou rindo

Ingrid Soares
postado em 06/08/2021 14:22 / atualizado em 06/08/2021 15:02
 (crédito: Alan Santos/PR)
(crédito: Alan Santos/PR)

Apesar de ter subido o tom nas ameaças contra a democracia nos últimos dias, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (6/8) que "nunca proferiu uma só palavra fora das 4 linhas da Constituição". A declaração foi feita a um grupo de empresários durante uma palestra em Santa Catarina. O mandatário ainda reclamou de ter sido incluído na investigação de fake news do Supremo Tribunal Federal (STF) e teceu ataques ao petista Fernando Haddad.

"Não estou preocupado em se manter presidente. Já dou recado: só Deus me tira daquela cadeira. Me acusar de fake news… No meio militar é grave. Me acusar de fazer fake news na campanha, com o [empresário] Luciano Hang… Fake news eu faria se chamasse o [Fernando] Haddad de honesto", disparou rindo.

Bolsonaro também negou ter atacado a Suprema Corte e declarou que o que menos existe com o STF é harmonia. "Não estou atacando o Supremo Tribunal Federal. Longe disso. O que menos existe, parece, é harmonia. Nunca proferi uma só palavra, tive um só ato, uma só posição fora das quatro linhas da Constituição. Eu quero é governar, continuar lutando para que nosso país, nosso povo tenham dias melhores” disse o presidente.

Por fim, ele disse estar aberto ao diálogo e "a rasgar o verbo" com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, que cancelou uma reunião que estava marcada para ocorrer entre os chefes dos Três Poderes após o chefe do Executivo atacar magistrados do Supremo e o sistema eleitoral.

"Da minha parte, conversar com vossa excelência, ministro Fux, estou aberto ao diálogo. Não tem problema nenhum. Só nós dois. Ou chama lá também o Rodrigo Pacheco. Convido também o Arthur Lira. Nós quatro. Sem problema nenhum. Vamos nós quatro ali rasgar o verbo. Com compromisso de não sair e tagarelar para a imprensa, estou à disposição", avisou.

Ainda sobre o inquérito, o mandatário reforçou ameaças na quinta-feira (5) avisando que "o momento de sair das quatro linhas da Constituição está chegando". Ele também chamou o ministro Alexandre de Moraes de ditatorial e disse que "a hora dele vai chegar". "Eu não pretendo sair das 4 linhas para questionar essas autoridades, mas acredito que o momento está chegando. Não dá para continuarmos com um ministro arbitrário, ditatorial, que não respeita a democracia, que não leu a Constituição. Se leu, aplica de acordo com o seu entendimento para cada vez mais agredir não só a democracia, bem como atingir os seus objetivos dessa forma. Isso é inadmissível numa democracia", acrescentou.

Na quarta-feira (4), Bolsonaro havia questionado a legalidade desses procedimentos e disse que, em resposta, poderá atuar fora “das quatro linhas da Constituição”.

Aglomeração

Na chegada a Santa Catarina, sem máscara, o presidente tirou selfies e cumprimentou apoiadores em meio à aglomeração. Depois, saiu em passeata em carro aberto por ruas da região acenando a bolsonaristas. Veja abaixo:

 

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