CPI da Covid

CPI: "Eduardo (Bolsonaro) me conhece", diz diretor da Precisa em mensagem

Danilo Trento, que presta depoimento nesta quinta-feira (23/9) à comissão, afirmou aos senadores que não conhece o deputado, mas foi contraditado por diálogo divulgado pelo senador Randolfe Rodrigues

Jorge Vasconcellos
postado em 23/09/2021 13:38 / atualizado em 23/09/2021 13:40
 (crédito: Pedro França/Agência Senado)
(crédito: Pedro França/Agência Senado)

O vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), divulgou, nesta quinta-feira (23/9), uma mensagem em que o diretor institucional da Precisa Medicamentos, Danilo Berndt Trento, afirma que conhece o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro.

O parlamentar tomou a iniciativa após o empresário, que presta depoimento hoje à comissão, ter negado conhecer o filho do deputado ou Marconny Albernaz Faria — apontado pela CPI como lobista da Precisa e que teve os sigilos telemático, telefônico, bancário e fiscal quebrados pela comissão.

A mensagem de Trento faz parte de uma conversa que ele manteve, em 3 de junho do ano passado, com o suposto lobista da Precisa. Na conversa, Marconny diz que está na casa de Karina Kufa, advogada do presidente Bolsonaro, e que gostaria de apresentá-lo a Eduardo Bolsonaro, também presente na residência. Na resposta, Trento afirma: "O Eduardo me conhece". Mesmo após a divulgação da mensagem, o diretor institucional da Precisa Medicamentos insistiu não conhecer o filho do presidente Jair Bolsonaro.

Em outra parte do depoimento, Trento admitiu que já esteve com o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) em eventos públicos. O filho mais velho do chefe do Executivo levou o dono da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, para uma reunião com o presidente do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano.

A Precisa Medicamentos está no alvo da CPI por ter intermediado contrato de compra da vacina indicana Covaxin entre o Ministério da Saúde e o laboratório indiano Bharat Biotech. O contrato, no valor de R$ 1,6 bilhão para a aquisição de 20 milhões de doses do imunizante, foi suspenso pelo Ministério da Saúde depois de a comissão parlamentar apontar uma série de irregularidades. Entre elas, fraude de documentos e a exigência de um pagamento antecipado a uma empresa situada em um paraíso fiscal, o que não estava previsto no contrato.

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