ELEIÇÕES 2022

Polêmica: "Se você briga por Lula ou Bolsonaro, leia esse texto antes"

"Destruir é muito mais fácil do que construir. Talvez por isso políticos estimulem seus eleitores ao ódio e ao confronto", analisa Ricardo Kertzman

Ricardo Kertzman - Estado de Minas
postado em 03/11/2021 10:40 / atualizado em 03/11/2021 10:48
 (crédito: EVARISTO SA / AFP)
(crédito: EVARISTO SA / AFP)

Meu caráter, minhas crenças e meus valores foram moldados durante anos de aprendizado familiar, social e escolar, sobretudo na primeira e segunda infâncias, e até o final da minha adolescência.

Já na fase adulta, tive grandes lições de vida de pessoas mais velhas — que eu imaginava idosas, mas que tinham a minha idade atual — e a sorte de contar com dois exemplos muito fortes e presentes, que terminaram de moldar a forma do que me tornei.

A sabedoria ensina, com razão, já que sábia, que não paramos de aprender nunca. E é verdade. Na minha última década, posso dizer que fui remodelado. Nos últimos anos, principalmente, biografias inspiradoras do mundo corporativo (Jobs, Musk, Gates, Eisner, Iger), e pensadores e filósofos modernos (Harari, Pondé, Peterson, Prager) repaginaram minha visão de mundo. 

Destes, o que mais gosto é Yuval Noah Harari, historiador israelende e autor de best sellers mundiais como Sapiens, Homo Deus e 21 Lições para o século 21, pois, para além de me ensinar e me fazer pensar, é absolutamente perturbador em suas "viagens" profundamente coerentes e possíveis — além de muito prováveis.

NYC

Nestes quase seis meses de vagabundagem ampla, geral e irrestrita por Nova York — convenientemente chamada "ócio produtivo" ou "período sabático", pelo mundo corporativo — em meio ao que minha filhota apelidou "caminhadas filosóficas" e centenas de horas de música, entremeadas por bebida, comida e namoro, me dediquei a estudar, ou melhor, a me aprofundar em alguns temas específicos dos livros do Harari.

Em tempo: Yuval é feio, careca, judeu e gay, ou seja, um prato-feito para os homofóbicos, racistas e preconceituosos de plantão. Enquanto os "imperfeitos" semeiam a Terra com lições e sabedoria, os "perfeitos" semeiam com ódio, violência e rancor. E muitas vezes são premiados com poder, fama e fortuna instantâneos, ainda que, geralmente, passageiros. Vejam o recente caso do jogador de vôlei, Maurício Souza, transformado em subcelebridade e ídolo da extrema direita brasileira por suas declarações homofóbicas.

Voltando ao que presta, me dediquei sobretudo ao livro 21 lições para o século 21, que havia lido no começo da pandemia, ano passado, e retomei de forma analítica em NY. Sim, falando dessa maneira, até pareço intelectual ou crítico literário, o que obviamente e definitivamente não sou nem jamais terei capacidade de ser. O que quero dizer é que, dentro de inúmeras e gigantescas limitações, tenho tentado compreender e analisar com mais profundidade o que Harari prevê.

Políticos

Recomendo que leiam o livro. Especialmente que o leiam com os olhos voltados para o ambiente político atual. Hoje, conversando com um amigo que mora nos EUA há mais de 20 anos, chegamos à conclusão de que políticos — quaisquer políticos — são humanos dotados de super poderes hipnóticos. Daí me lembrei de uma passagem do livro, que transcrevo a seguir: "Políticos são um pouco como músicos. E o instrumento que eles tocam é o sistema emocional e bioquímico humano. Eles fazem um discurso, e espalham uma onda de medo no país. Eles escrevem uma mensagem no Twitter, e há uma explosão de ódio".

Como negar, não é mesmo? Milhões, talvez bilhões de pessoas mundo afora se permitem guiar pelos ditames e verdades dos seus líderes políticos. Essa massa humana descomunal, já há algum tempo, encontrou nas redes sociais sua Ágora moderna, e pastoreada como gado segue em uníssono com o mito da ocasião, em suas respectivas manadas, pisoteando, comendo, ruminando e defecando por onde passa, destruindo o ambiente — e o meio ambiente — ao seu redor.

Pessoalmente, faço parte da minoria silenciosa que não idolatra políticos; que desconfia de todos; que vigia e que cobra; que acredita que a verdadeira imprensa se faz através da crítica, e não de afagos; que não aceita sabujice, remunerada ou não; e que opina — no meu caso, por meio de colunas — de modo honesto, verdadeiro e… sem medo!

Goste ou não a maioria dos leitores; goste ou não a maioria dos políticos; goste ou não a maioria dos meus amigos; gostem ou não editores e donos dos veículos em que escrevo. Porque ao fim do dia, meus caros, antes de me deitar, ao escovar os dentes, olho no espelho e preciso gostar do que vejo. Ainda que seja, como o genial Harari, um careca, judeu e feio — só que burro, rs. Simples assim. Ah, atleticano também.

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