ELEIÇÕES

"Brasil não precisa temer quem quer que ganhe a eleição", diz novo presidente da Fiesp

Josué Gomes reconhece que Bolsonaro foi o presidente que mais atacou as instituições, mas afirma que a entidade não vai tomar partido de nenhum político e pretende conversar "com todos os governos"

Rosana Hessel
postado em 17/02/2022 18:19 / atualizado em 17/02/2022 18:19
 (crédito: Fiesp/Divulgação)
(crédito: Fiesp/Divulgação)

O novo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva, preferiu não falar de suas preferências polítcas e afirmou que, seja qual for o resultado das eleições, o país continuará na normalidade. Ele defendeu as urnas eletrônicas e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reforçando a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro, ao contrário do presidente Jair Bolsonaro (PL), que, sempre que pode, busca levantar dúvidas quando cai nas pesquisas de opinião.

“O Brasil não precisa temer quem quer que ganhe a eleição. É preciso confiar na urna eletrônica e no TSE”, disse o executivo, nesta quinta-feira (17/2), em entrevista a jornalistas na capital paulista. “Independentemente de quem ganhar a eleição, o Brasil não vai acabar", afirmou.

Segundo ele, uma entidade como a Fiesp tem que ter relação com “todos os governos” e não pode assumir uma posição de partido político. “Ela não pode ter um partido e não pode ter preferência, e tratando as autoridades da mesma maneira, com respeito”, destacou.

Ao ser questionado sobre Bolsonaro, ele disse ser o presidente que mais atacou as instituições. Segundo Josué, a nota dedicada ao chefe do Executivo na história será o governo que promoveu muitos ataques às instituições, mas que, se reeleito, terá chance de ter uma outra imagem no registro histórico se o povo brasileiro quiser.

"Atacou o Congresso, o Judiciário, as vacinas e até vocês, a imprensa", disse ele aos jornalistas. Contudo, ele disse torcer para que, caso seja reeleito, o atual presidente mude o comportamento. “Eu torço para que ele faça diferente, se ele se eleger”, afirmou.

Josué Gomes disse que não é tão próximo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como dizem, pois visitou Brasília umas 10 vezes durante os 12 anos em que seu pai morou na capital federal, primeiro como senador e, depois, como vice-presidente. “Sempre fui distante. Não vendo para o governo e não compro do governo”, disse o empresário da indústria têxtil. Ele lembrou que o pai, o empresário José Alencar, ex-vice-presidente do petista, participou do governo que teve a taxa de aprovação de 83% no fim dos oito anos de madato. “O governo deve ter acertado mais do que errado”, disse.

Reforma tributária

O empresário contou que a economista Vanessa Canado, que está trabalhando no programa econômico do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também foi convidada por ele para desenhar uma proposta de reforma tributária, focada em um Imposto de Valor Agregado (IVA), que é utilizado na maioria dos países.

Nesse sentido, o empresário defendeu que a sociedade e a classe política precisam ser convencidas de que é preciso uma isonomia tributária, e, assim, melhorar a participação da indústria da transformação no Produto Interno Bruto (PIB), que está no menor patamar da história, de 11%. “Queremos pagar imposto, mas o que todos pagam. E, assim, vamos transformar o Brasil em uma nação mais próspera e mais rica”, afirmou.

Sem reeleição

O novo presidente da Fiesp contou que tem como metas melhorar a qualidade da educação, além de aumentar a produtividade de 40 mil micro e pequenas indústrias, a fim de gerar mais empregos para o setor. “Meu escritório é aqui perto (da Fiesp). Deixo meu carro lá, venho a pé e vejo famílias morando na rua da cidade mais rica do estado mais rico, em plena Avenida Paulista. Não podemos achar que isso é normal”, disse.

Ele garantiu que será presidente por apenas quatro anos e que não vai se candidatar à reeleição. “Sou presidente de um mandato só e não sou político”, afirmou, descartando a possibilidade de compor alguma chapa nas eleições.

Josué Gomes disse ser favorável a mandatos menores, de dois anos, por exemplo, com reeleição para outros dois anos. Seu antecessor, o empresário Paulo Skaf, presidiu a Fiesp por 17 anos.

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