Eleições

Deputados bolsonaristas publicam ameaças à militância petista; PT reage

Em evento da CUT, Lula diz que a pressão sobre suas propostas surtirá mais efeito se a sindicância procurar os parlamentares e seus familiares nas próprias residências. Parlamentares bolsonaristas reagiram prometendo ações judiciais e até tiros se forem i

Tainá Andrade
postado em 06/04/2022 15:08 / atualizado em 06/04/2022 18:10
 (crédito: Reprodução/Twitter - Reprodução/Instagram)
(crédito: Reprodução/Twitter - Reprodução/Instagram)

Em reunião com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), nesta quarta-feira (6/4), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que é mais válido a militância abordar deputados e seus familiares em suas casas do que fazer manifestações no Congresso Nacional. Após deputados bolsonaristas reagirem às declarações de Lula e publicarem ameaças à militância petista, o Partido dos Trabalhadores informou que vai ingressar com uma representação na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados contra o deputado federal Cabo Junio Amaral (PL-MG) por ameaça a Lula.

"Se a gente mapeasse o endereço de cada deputado e fossem 50 pessoas na casa — não é para xingar, não, é para conversar com ele, com a mulher dele, com o filho dele, incomodar a tranquilidade dele —, surte muito mais efeito do que fazer a manifestação em Brasília", sugeriu o ex-presidente.

O PT começou a mostrar uma segunda etapa na estratégia de campanha, na qual tem chamado para o cenário eleitoral a mobilização das bases e de sua militância para fazer pressões. A ordem inicial era definir os palanques estaduais de apoio a Lula. Alianças, em todos os estados, têm sido consolidadas com os demais partidos, principalmente PSB, PSD e, não oficialmente, uma parte do MDB — a ala nordestina.

Em pesquisa Ipespe publicada hoje, Lula ainda se mantém na liderança, com o mesmo percentual de 44% das intenções de voto.Porém, com a saída do ex-juiz Sergio Moro da disputa, o presidente Jair Bolsonaro (PL) encurtou a distância com o petista e cresceu para 30%.

Reações

Diante da declaração de Lula, parlamentares aliados a Bolsonaro se manifestaram nas redes sociais. O deputado federal Junio Amaral (PL-MG) ensina como chegar em sua casa ao mesmo tempo que engatilha uma pistola. “Eu estou esperando você lá, tanto sua turma, quanto você. Vai lá conversar com a minha esposa, com a minha filha. Vocês serão muito bem-vindos!”, diz ao colocar a munição na arma.

Em outro vídeo, a deputada Carla Zambelli (PL-SP) divulgou um vídeo no qual avisa que irá protocolar denúncia contra o petista por estímulo ao assédio contra mulheres e filhos de parlamentares. Em vídeo, alertou sobre a violência dos militantes de esquerda e deixou claro que irá atirar em quem a incomodar.

“Meu lar é inviolável. Minha família é sagrada. Digo uma coisa para vocês, na minha casa tem pistola. Olha, mãe, se vier vagabundo aqui ameaçar a senhora e meu filho, a senhora está autorizada a pegar minha pistola e meter chumbo, porque aqui vale a lei da legítima defesa”, alertou.

Na sequência, avisou aos militantes que Lula “adora fazer política em cima de caixão” e que, portanto, coloca a sua militância “em área de insegurança”. 

 

O deputado federal Daniel Freitas (PL-AC) pretende ingressar com uma ação judicial. “Quer tocar o seu ingresso vermelho para cima das nossas famílias?”, escreveu. Segundo ele, "Lula defendeu limites para o consumo da classe média e afirmou que 'a classe média brasileira ostenta padrão acima do necessário'. Disse o cara que andava com relógio de quase R$ 90 mil esses dias", afirmou em seu perfil na rede social.

Ele também repostou o tweet de Eduardo Cury (PSDB-SP), o qual diz que “sentiu na pele, anos atrás, e minhas filhas com 1 e 3 anos, sindicalistas liderados por Lula/Dirceu cercam minha casa, pois recusei receber/repassar milhões para empreendimento de sindicato sócio de traficantes”.

 

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