Brasil 2022

Centrais sindicais e bolsonaristas farão manifestações no 1º de maio

Separados por um forte esquema de segurança, centrais sindicais e grupos bolsonaristas promovem manifestações no Dia do Trabalho em São Paulo. Atos em outras capitais defenderão "liberdade", em referência ao episódio com Daniel Silveira

Taísa Medeiros
postado em 30/04/2022 06:00
 (crédito: Cleia Viana/Câmara dos Deputados)
(crédito: Cleia Viana/Câmara dos Deputados)

Com apenas três quilômetros de distância, duas grandes manifestações vão ocorrer em São Paulo, no dia 1º de maio — Dia Mundial do Trabalho. De um lado, na praça Charles Miller, no Pacaembu, a partir das 10h, sete centrais sindicais organizam o Dia Internacional do Trabalhador e da Trabalhadora. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou presença. De outro, às 14h, na Avenida Paulista, acontece o ato em defesa da liberdade e da Constituição, com a presença de deputados bolsonaristas, como Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado pelo Supremo Tribunal Federal e indultado pelo presidente Jair Bolsonaro. Além da capital paulista, outras cidades serão palco de manifestações polarizadas.

Em razão da proximidade física das manifestações em São Paulo, as forças de segurança do estado montaram um esquema especial. Serão 840 policiais militares destinados para atuar nos dois pontos. A Polícia Militar informou que, desde as primeiras horas, haverá patrulhamento no local e também nas imediações das estações do Metrô. O efetivo contará com apoio de 128 viaturas, dois caminhões blindados ("guardião"), veículos lançador de água, cinco cães, 20 cavalos e dois drones.

A tecnologia também será aliada no esquema de segurança. Todas as ações do efetivo serão monitoradas pelo sistema Olho de Águia, por meio de câmeras fixas e móveis, e acompanhadas diretamente de uma Sala de Comando e Controle que será instalada no Centro de Operações da PM (Copom).

Na manifestação encabeçada pelas sete centrais sindicais — Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral de Trabalhadores (UGT), Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Intersindical Central da Classe Trabalhadora e Pública Central do Servidor — a preocupação com a segurança é relevante.

"A UGT tem uma exposição na Paulista, em homenagem aos trabalhadores, feita pelo artista Kobra, pelos 200 anos da Independência. É a oitava exposição, sempre em maio, e pela primeira vez, Ricardo Patah, presidente da central, resolveu fazer um seguro das 30 obras expostas, que ficarão na Paulista durante todo o mês de maio. Há o temor de violência contra os trabalhadores", admitiu Antenor Braido, consultor de comunicação da UGT.

Emprego e democracia

As sindicais têm expectativa de participação de pelo menos 30 mil pessoas — os mais otimistas cogitam bater a marca de 100 mil participantes. A manifestação terá como tema "Emprego, Direitos, Democracia e Vida". "Não há outro caminho que não seja reforçar a luta de resistência para derrotar Bolsonaro para acabar com a fome e a miséria, combater a carestia e resgatar a democracia e os direitos da classe trabalhadora", explicou Adilson Araújo, presidente da CTB.

O discurso do ex-presidente Lula está marcado para as 15h. Além do petista, outras lideranças deverão marcar presença, como os pré-candidatos ao governo de São Paulo Fernando Haddad, do PT, e Márcio França, do PSB, o presidente do Psol, Juliano Medeiros, e o coordenador do MTST, Guilherme Boulos.

De verde-amarelo, por Bolsonaro

Bolsonaristas, por outro lado, organizam um ato em defesa da liberdade do deputado Daniel Silveira. A manifestação, marcada para às 14h, na Avenida Paulista, contará com a presença de Silveira e de aliados, como a deputada Carla Zambelli (PL-SP).

"Vários movimentos anunciaram o ato em defesa da liberdade e, como defensora da liberdade, estarei presente para apoiar a iniciativa que é popular e espontânea ", disse a deputada. O presidente Jair Bolsonaro (PL) não confirmou presença na manifestação.

Zambelli convoca a militância bolsonarista nas redes sociais para o ato pró-governo desde a quinta-feira, 21 de abril — data em que Bolsonaro concedeu o perdão presidencial a Silveira. A deputada e outros 70 parlamentares apresentaram nesta semana, um Projeto de Lei que pauta a correção de "arbitrariedades" contra todos que tenham suas "liberdades constitucionais cerceadas".

O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) anunciou em seu Twitter que o deputado Daniel Silveira também participará do ato do 1° de maio em Niterói. "Será às 9h, em frente à reitoria da UFF em Icaraí. Vamos juntos!!", escreveu o parlamentar.

Em outras capitais brasileiras, atos favoráveis a Bolsonaro e em defesa da liberdade de Silveira também estão previstos. Em Teresina, a manifestação começa às 9h, na Ponte Estaiada, ponto turístico da capital piauiense. "Queremos levar a seguinte reflexão: que liberdade é essa? Por que algumas pessoas estão sendo julgadas por crime de opinião e são penalizadas, enquanto outras pessoas que cometeram crimes gravíssimos contra o país estão soltas e com seus direitos políticos garantidos?", questiona Samantha Cavalca, jornalista, presidente do PL do Piauí e pré-candidata à deputada estadual.

A presidente regional da legenda ressalta que todos os atos do presidente possuem respaldo da Constituição, e que a manifestação programada não possui viés contra o Judiciário. "Vamos ter uma manifestação democrática. Onde há pessoas vestidas de verde e amarelo, existe Deus, pátria e família. Baderna são as manifestações em que os vândalos estão vestidos de vermelho e escondem os rostos", criticou. (Colaborou Cristiane Noberto)

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