Eleições 2022

"Jogo em qualquer posição", diz Moro sobre eleições

Em entrevista, nesta segunda (2/4), o ex-juiz afirmou que concorrerá nas eleições, mas sem definir a qual cargo. Ele defendeu ainda ser contra o "controle social da mídia"

Victor Correia
postado em 02/05/2022 23:15
 (crédito: Podemos/Reprodução)
(crédito: Podemos/Reprodução)

O ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) afirmou, nesta segunda-feira (2/4), que será candidato nas eleições de 2022, mas não definiu para qual cargo. Ele disse que o partido está discutindo isso internamente, mas que "joga em qualquer posição".

“Devo ser candidato sim nessas eleições, isso está sendo discutido dentro do partido. Tenho que tomar essa decisão”, disse Moro em entrevista à CNN. O ex-ministro da Justiça se classifica como um "soldado da democracia", e defende sua atuação para viabilizar uma alternativa a Lula (PT) e Bolsonaro (PL).

“Hoje, o que nos temos ainda está em discussão. O União Brasil escolheu Luciano Bivar [para o Planalto]. Eu sou um soldado da democracia, jogo em qualquer posição. O importante é a gente voltar a crescer”, afirmou. Moro disse ainda que a troca que fez do Podemos pelo União Brasil foi calculada para permitir que ele continue defendendo pautas como o combate à corrupção.

Derrota em comitê da ONU e caso Daniel Silveira

Moro voltou a criticar decisão do Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) que definiu a atuação dele contra Lula no âmbito da Lava-Jato como parcial. Segundo o ex-juiz, a posição do órgão internacional foi definida com base em um "erro" do Supremo Tribunal Federal (STF). “Têm votos vencidos que qualificam isso [a suspeição de Moro] como um acerto de contas politico”, disse.

Já quanto ao deputado federal Daniel Silveira (PTB), condenado pelo STF a 8 anos de 9 meses de prisão, mas agraciado com indulto por Bolsonaro, Moro afirmou que houve erros de todos os envolvidos.

“Pra mim, ali houve uma sucessão de erros: o deputado se excedeu e atacou, fez ameaças físicas a ministros do Supremo, isso não está dentro da liberdade de expressão. Do outro lado, o STF deu uma pena excessiva, mais de 8 anos de prisão para ameaças físicas que eram graves, mas verbais”, defendeu.

Por fim, Moro disse que o indulto de Bolsonaro também foi um erro, e que o presidente poderia ter dado um indulto parcial para que ele "cumprisse uma pena de prestação de serviços, por exemplo".

Contra o "controle social da mídia"

Questionado sobre a regulamentação da imprensa, o ex-ministro declarou ser "absolutamente contra o controle social da mídia", e afirmou que quem defende isso seria Lula. “É uma forma disfarçada de voltar a censura. Vai ter um conselho de jornalistas indicado por partidos, por sindicatos para controlar o que a imprensa vai falar, vai transmitir?”, questionou.

Moro também disse ser "absolutamente contra" ataques de qualquer espécie a jornalistas". Segundo o ex-juiz, "a imprensa merece críticas, isso faz parte da liberdade de expressão, mas sem baixar nível de ficar ofendendo jornalistas”.

 

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