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Dos 38 presentes na reunião do PSDB, apenas 7 defenderam Doria

Dirigentes da sigla reforçam posição contra a pré-candidatura do ex-governador ao Planalto. Impasse trava definição da 3ª via

Vinicius Doria
postado em 18/05/2022 05:51 / atualizado em 18/05/2022 05:52
 (crédito:  MATEUS BONOMI/ESTADÃO CONTEÚDO)
(crédito: MATEUS BONOMI/ESTADÃO CONTEÚDO)

Com 38 participantes em uma composição amplamente desfavorável ao pré-candidato à Presidência João Doria, a Comissão Executiva do PSDB — em versão ampliada, com a presença de deputados e senadores — se reuniu, ontem, e aumentou a pressão contra o ex-governador paulista, que não esteve no encontro. O partido, porém, não bateu martelo no sentido de abandonar o postulante ao Planalto ou impor uma união com o MDB.

A Executiva decidiu convocar Doria a vir a Brasília, ainda hoje, para uma reunião. Quer que o pré-candidato ouça dos seus correligionários o diagnóstico, apurado ontem, de que a candidatura dele se mostrou inviável para a maioria da cúpula tucana. Assim, espera que o ex-governador tome a iniciativa de abdicar do projeto de concorrer à Presidência, apesar da chancela das prévias da legenda.

"As conversas com o MDB ou com outros possíveis aliados devem continuar, deixando claro que a decisão por uma eventual coligação é da convenção partidária. Mas não podemos superar uma etapa sem ouvirmos o candidato João Doria, vencedor das prévias", defendeu o deputado federal Aécio Neves (MG), um dos principais opositores do ex-governador paulista na sigla.

Os caciques tucanos só não combinaram o script com o próprio Doria, que não virá a Brasília, segundo fontes ligadas ao ex-governador. O pré-candidato, que ficou em São Paulo monitorando a reunião ao lado do advogado eleitoral Arthur Rollo, não se pronunciou publicamente sobre o resultado da Executiva, mas, ao Correio, ele enviou uma breve mensagem: "Vamos evoluir com o diálogo".

O presidente do partido, Bruno Araújo, informou que continuará à frente das negociações com o MDB no sentido de construir uma candidatura unificada do autodenominado centro democrático. A reunião dos presidentes do PSDB, do MDB e do Cidadania, marcada para hoje, está mantida. É lá que será apresentada uma pesquisa qualitativa contratada pelas legendas para apurar a viabilidade eleitoral de Doria e de Simone Tebet (MDB-MS), favorita do grupo que apoia a chapa unificada para ser a candidata à Presidência. Mas não haverá definição de nomes enquanto o PSDB não resolver seu problema interno.

Críticas

Dos 38 presentes, apenas sete defenderam a candidatura de Doria: o coordenador da campanha, Marco Vinholi; o ex-governador da Bahia Antônio Imbassahy, o tesoureiro do partido, Cesar Gontijo, e o adjunto dele, Giuseppe Vecci; e os representantes dos núcleos PSDB Mulher (Thelma de Oliveira), Diversidade Tucana (Edgar de Souza) e Tucanafro (Gabriela Cruz).

O restante não economizou nas críticas, principalmente à carta que Doria enviou a Bruno Araújo, no sábado passado, na qual declara que seguirá como candidato e que, por ter sido escolhido nas prévias do partido, não pode ser descartado pelo grupo dirigente.

"A carta foi um erro político e jurídico", disse o vice-presidente da legenda, Carlos Sampaio (SP), que abriu a reunião. Ele, até então, mantinha uma postura mais favorável a Doria. Assim como Sampaio, nenhum deputado federal se declarou favorável à atual pré-candidatura tucana.

O secretário-geral, Beto Pereira, contou, na sequência, ter conversado com Doria e afirmou ao pré-candidato, "olho no olho", que o apoiou, mas que "agora não dá mais". Um por um, os participantes foram desfiando o rosário de queixas. Aécio Neves, por exemplo, defendeu o diálogo com o ex-governador, porém no sentido de que ele desista espontaneamente, que "ouça dos seus companheiros que sua candidatura traz prejuízos ao seu partido em vários estados".

"O que nós vimos foi que João Doria, nosso candidato a presidente, não teve quase tempo nenhum para se dedicar à campanha por conta de estar o tempo todo sendo pressionado por aqueles que não ganharam as prévias. O que nós vamos falar para nossa militância? Não pode ser assim", defendeu a coordenadora do PSDB Mulher, Thelma de Oliveira, uma das poucas vozes pró-Doria.

Os dois representantes do pré-candidato, Marco Vinholi e Antônio Imbassahy, deixaram a reunião sem falar com a imprensa. A equipe da pré-campanha se reunirá, hoje, com Doria, para traçar os próximos passos desse embate com a cúpula do PSDB.

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