ELEIÇÕES

Chapa PT-PSB enfrenta problemas para consolidar palanques estaduais

Composta agora por 12 partidos, a coligação tem como pré-candidato o deputado Danilo Cabral (PSB)

Victor Correia
postado em 19/05/2022 06:00
 (crédito: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)
(crédito: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

A chapa PT-PSB enfrenta dificuldades para consolidar seus palanques estaduais. Em Pernambuco, a aliança sofreu um baque com a perda de respaldo do PSD, que desembarcou da coligação Frente Popular e declarou apoio à pré-candidata ao governo estadual e deputada federal Marília Arraes (Solidariedade).

Composta agora por 12 partidos, a coligação tem como pré-candidato o deputado Danilo Cabral (PSB). PP e Avante, que também compõem a frente, já sinalizaram que vão fazer o mesmo movimento.

Marília Arraes lidera as pesquisas locais com 28,8% das intenções de voto, segundo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, divulgado na segunda-feira. Em seguida, aparece a ex-prefeita de Caruaru Raquel Lyra (PSDB), com 16%. Danilo Cabral, por sua vez, ficou em quinto lugar, com 7,1%.

O baixo desempenho de Cabral nos levantamentos é um dos motivos da debandada. No caso do PSD, porém, o que pesou para a saída da Frente foi a escolha da deputada estadual Teresa Leitão (PT) para concorrer ao Senado. A legenda defende a pré-candidatura do deputado federal André de Paula (PSD), que, inclusive, foi lançada na segunda-feira em evento com a presença de Marília Arraes.

A perda do apoio do PSD pode ter impacto na campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Pernambuco. O PSB — que compõe a chapa do petista com o ex-governador paulista Geraldo Alckmin como vice — já estabeleceu a estratégia de colar a imagem de Cabral à de Lula.

A troca favorece Marília Arraes, que também usa a imagem do petista em sua campanha, com aval do ex-presidente. Lula já declarou oficialmente seu apoio a Danilo Cabral, afirmando que ele é "seu candidato", mas disse não ver problema em ser citado em outras campanhas.

Outros estados

Um parlamentar do PSB ouvido pelo Correio avaliou que a troca de apoio não tem nenhum efeito sobre o palanque de Lula, justamente por Marília Arraes também apoiar o ex-presidente.

Ela deixou o PT em março para se filiar ao Solidariedade e concorrer ao governo do estado. Apesar de Arraes manifestar constantemente seu apoio ao ex-presidente, uma ala de sua antiga legenda ainda se ressente da saída. Em uma reunião do PT no Recife, no último domingo, o senador Humberto Costa criticou a pré-candidata, afirmando que "na hora em que Lula precisava construir essa aliança com o PSB, um aliado estratégico e importante vira as coisas, fecha a porta e busca outro caminho". "Quem age assim não é lulista", arrematou.

Não é apenas em Pernambuco que a chapa PT-PSB enfrenta problemas. Em Minas Gerais, a aliança não conseguiu costurar o apoio do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD).

O acordo foi travado por conta da candidatura ao Senado: o PT quer lançar o deputado Reginaldo Lopes, enquanto o PSD insiste em seu presidente no estado, o senador Alexandre Silveira. Embora nenhum dos lados tenha cedido ainda, Lopes admitiu, na terça-feira, ao Estadão, que pode desistir do Senado para selar a aliança.

Já no Rio de Janeiro, o embate é travado entre PT e PSB. Os aliados discutem quem deve ser o nome para o Senado: o deputado estadual André Ceciliano (PT) ou o deputado federal Alessandro Molon (PSB). A expectativa é que o PT aceite Molon. Para o governo estadual, as duas legendas concordaram em respaldar o deputado Marcelo Freixo (PSB).

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