Justiça

"Espero que tenha o direito de defesa que eu não tive", diz Lula sobre Moro

Ex-juiz tornou-se réu em ação protocolada por deputados do PT que pede ressarcimento por danos ao erário causados pela Lava-Jato

Victor Correia
postado em 24/05/2022 11:53 / atualizado em 24/05/2022 11:56
 (crédito: Agencia Brasil )
(crédito: Agencia Brasil )

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (24/5) esperar que o ex-juiz Sergio Moro (União Brasil) "tenha o direito de defesa e a presunção de inocência que eu não tive com ele". Moro tornou-se réu ontem em ação protocolada pelo PT que pede ressarcimento por prejuízos causados pela operação Lava-Jato.

“Só espero que nessa acusação o ex-ministro ex-juiz Moro tenha o direito à defesa e à presunção de inocência que eu não tive com ele. Eu quero que, se ele tiver que ser julgado, que ele tenha direito de toda a defesa, que possa se defender”, disse o presidenciável em entrevista à rádio +Brasil News.

A ação foi protocolada em 27 de abril pelos deputados do PT Rui Falcão, Erika Kokay, José Guimarães e Paulo Pimenta, bem como pelos advogados do grupo Prerrogativas, e pede responsabilização de Moro por possíveis ilegalidades na condução da operação Lava-Jato, que levou inclusive à prisão do ex-presidente.

O pedido foi aceito pela Segunda Vara Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal. Na decisão, o juiz federal Charles Renaud Frazão de Moraes pede que o Ministério Público Federal tenha ciência da ação. Agora réu, Moro precisa apresentar sua defesa.

Moro "protocolou um Carnaval"

"Eu, pessoalmente, acho que o Moro cometeu um crime contra esse país. Os prejuízos que esse país teve com o Carnaval que o Moro protocolou nesse país é muito grande", afirmou o ex-presidente. "O que eu quero que aconteça com o Moro e com qualquer outra pessoa neste país é que eles tenham um julgamento decente, digno e respeitoso. Que eles tenham direito à presunção da inocência e que possam provar as coisas que fizeram e que não fizeram."

Lula voltou a criticar a cobertura que a imprensa fez à época das investigações e de sua eventual prisão.  “É muito difícil você sobreviver com 59 capas de revistas te chamando de ladrão. É muito difícil você sobreviver com 680 primeiras páginas dos jornais falando que você cometeu corrupção. Eu sobrevivi a tudo isso. Estou com a minha consciência tranquila porque invadiram a minha casa, levantaram o colchão, quebraram o fogão, abriram televisão para tentar ver se tinha alguma coisa e não encontraram um santo de dólar.”

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